A passagem de Lula pelo Paraná, durante a última semana, liderando a Caravana da Agricultura Familiar, já produziu dois fatos novos. O primeiro: fortaleceu as tendências petistas lideradas pelos deputados Pe. Roque, Dr. Rosinha e Irineu Colombo, que defendem a candidatura própria. Foi nesse sentido o pronunciamento do líder petista, pela quarta vez presidenciável, certamente calcado no bom desempenho dos candidatos partidários em 2000. A outra afirmação produziu um estrago. Ao negar a existência do convite a Osmar Dias para ingressar na legenda, desmentiu a afirmação do senador, que, pela terceira vez, conversara com José Dirceu, presidente nacional do PT, a partir de um primeiro contato com Lula. Justamente agora que até o prefeito de Maringá, José Cláudio, assim como outros companheiros, concordara em rever sua posição, depois de uma postura crítica inicial em relação ao ingresso de Osmar. Mesmo que se trate, como parece, de um mal-entendido, deixou-o irritadíssimo. Político de posições firmes e pavio curto, o ex-tucano já afirmou que nem admite mais conversar com os petistas.
Para alegria de seu irmão, que via com apreensão as articulações de Requião para a formação de uma aliança de esquerda. Se Osmar ingressasse no PT, uma coligação resolveria sério problema do senador peemedebista. Quem conhece Requião garante que o seu sonho é continuar no Senado. Uma chapa encabeçada pelo petista (?) Osmar Dias, somada a uma coligação que contemplaria o PMDB e outro partido de esquerda, com vagas para o Senado, restando ainda uma vice para completar a composição, satisfaria a todos e - imaginam os líderes à esquerda -, seria imbatível. Vanhoni disputaria uma vaga na Câmara Federal e reservaria seu nome para concorrer à prefeitura de Curitiba em 2004. Com apoio do futuro governo, sonhou.
Sonhava, porque depois da passagem de Lula, esta alternativa acabou. Osmar volta a ser importante cabo eleitoral do irmão.
A esperança também toma conta dos arraiais governistas, na medida em que sentem a união das esquerdas cada vez mais distante. Para o governo, os partidos de oposição como sempre o fizeram, irão para a disputa divididos, possibilitando que, num provável segundo turno muito, consiga Jaime Lerner emplacar o seu candidato. Pela confiança do chefe da Casa Civil (veja entrevista ao lado), a recuperação do prestígio do governo paranaense começa ainda este ano.

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