Curitiba As concessionárias das rodovias paranaenses não vão abrir mão do aumento das tarifas, programado para entrar em vigor no dia 1º de dezembro. O presidente da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR) da diretoria regional do Paraná, João Chiminizzo, disse que as concessionárias prestam um serviço público e, como tal, têm direito ao reajuste. Ele lembrou que outras tarifas públicas, como luz, água e telefonia, sofrem esses mesmos reajustes: ''Será que as concessionárias de rodovias precisam arcar com prejuízos e quebrar?''
Chiminizzo reforçou a disposição das concessionárias, já expressada pelos presidentes de duas das seis empresas, em atender o chamado do novo governo para discutir os contratos. Mas ressalta que ainda não houve nenhum contato do governador eleito Roberto Requião (PMDB) ou da equipe de transição para falar sobre o assunto. Sobre o reajuste que deve vigorar no início de dezembro, parece não haver chances de negociação.
O vice-governador eleito, Orlando Pessuti (PMDB), disse na segunda-feira que soube informalmente que as concessionárias querem um aumento de 11% nas tarifas. Ele disse ainda esperar que as empresas segurassem o reajuste.
Chiminizzo não confirma o índice de 11%. Segundo ele, o valor é calculado levando em consideração a variação não só de índices como IGPM, como também o reajuste de produtos como o cimento e o ferro. ''Normalmente só apresentamos esse valor ao Departamento de Estragas e Rodagem (DER), que revisa o cálculo e homologa o valor, próximo do dia 15 do mês de novembro.''
Chiminizzo diz que as atuais tarifas são ''absolutamente justas perante o contrato''. Questionado sobre a possibilidade de rever os contratos, ele afirma ser preciso olhar para outros aspectos do pedágio. ''As concessionárias se transformaram em importantes agentes econômicos e financeiros.'' Segundo ele, até o final do ano, as concessionárias terão investido no Estado R$ 1 bilhão.
A experiência do atual governo, de reduzir o valor das tarifas em 1998 e recompô-las alguns meses depois, não foi considerada boa pelas concessionárias. ''A atitude unilateral gera desemprego e a redução imediata de arrecadação de impostos nos 38 municípios cortados pelas rodovias pedagiadas.''

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