Um raio-X da Organização das Nações Unidas sobre o Brasil constatou o que já se sabia: que este é um país onde imperam a corrupção no meio governamental, a violência e o racismo. Verdade que este é um problema mundial, porém não a justificativa para não combater intensamente esses males em nosso território. O relatório também registra o emprego da tortura policial, a superlotação dos presídios, a impunidade e o alerta de que o Brasil não cumpriu as recomendações feitas em 2005 para adoção de medidas de proteção aos direitos humanos.
As autoridades brasileiras terão que preparar as respostas exigidas por esse organismo mundial, porque em abril a questão voltará à baila. Não só a ONU considera preocupante a situação do Brasil mas também a população brasileira, enquanto os governos pouco fazem para mudar esse estado de coisas. Até porque, no que respeita à corrupção, são eles próprios os grandes agentes. De sua vez, a Unicef (organismo de defesa das crianças e adolescentes) revela que os homicídios na faixa dos jovens de 15 a 19 anos aumentaram quatro vezes nas últimas duas décadas. Segundo afirma essa instituição, a impunidade, a guerra entre gangues e a violência policial estão entre os principais fatores desse índice alarmante. Uma crítica é feita pelo Unicef também aos juízes, ''que qualificam a tortura para obter confissões apenas como abuso de poder''. A ONU recomenda para o Brasil a urgente reforma do sistema Judiciário, como meio de lidar melhor com a corrupção e a impunidade, embora se saiba que uma questão a resolver é também a baixa formação dos que se habilitam às funções públicas e da própria sociedade.
A palavra ''corrupção'' mais empregada para as irregularidades governamentais, é abrangente e deve ser aplicada também para o caso dos bancos, que dispararam seus juros neste início de ano, sem nenhum freio oficial. A desculpa é a verborragia pouco inteligível da ''volatilidade externa''. O exagero dos lucros alcançados todos os anos pelos bancos e demais instituições financeiras é outra forma de corrupção, porque tal ocorre não por competência gerencial mas pelos juros extorsivos, portanto pela especulação e pela usura.
É também corrupção a dívida não paga de bancos ao INSS, o que constitui crime de lesa-pátria e não move o governo para a cobrança. Até porque dois dos devedores são o Banco do Brasil e a Caixa Econômica, que juntos devem R$ 467 milhões. Nessa lista, o Banco de Brasília é devedor de R$ 98,6 milhões, a Nossa Caixa de R$ 51 milhões e o Banco Itaú de R$ 10,59 milhões. E o lucro deste último em 2007 foi de R$ 8,4 bilhões. O pequeno banco J.P.Morgan também tem um débito de R$ 2,9 milhões com o INSS. No total, R$ 621 milhões. Quando o devedor é um modesto contribuinte ele sofre duras consequências por isso.

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