Preocupação com segurança, destruição do patrimônio e falta de estrutura física são alguns dos problemas que levam as escolas da rede pública estadual a não darem à comunidade livre acesso à biblioteca e às quadras de esportes das instituições. Há quatro anos, nove escolas estaduais da cidade receberam verbas da Secretaria Estadual de Educação para reformar, ampliar e construir bibliotecas que deveriam ser usados, além dos alunos, pela comunidade. A idéia era que a entrada da biblioteca fosse pela rua, mas isto não foi colocado em prática. Em 2000, os colégios estaduais Vicente Rijo, Ubedulha de Oliveira e a Escola Estadual José de Anchieta estavam entre os que receberam a verba, mas não atendiam à população.
Hoje, a situação não mudou muito. Segundo a chefe do Núcleo Regional de Ensino, Sandra Regina do Amaral, das 70 escolas estaduais de Londrina, entre 12 e 15 atendem ao público da comunidade, tanto no uso da biblioteca como das quadras. Sandra explicou que, de uma maneira geral, as escolas ficam abertas ao bairro, mas que as bibliotecas são difíceis de serem acessadas por causa da falta de atendentes. ''As quadras são mais fáceis, mas é bom deixar claro que quem pode dar permissão para o uso é a Associação de Pais e Mestres ou o Governo'', ressaltou.
Para ela, é muito importante o envolvimento da sociedade com a escola. ''A comunidade passa a entender o espaço como dela e cuida mais. As escolas são um importante espaço de lazer, principalmente na periferia, onde os locais para lazer são poucos''. Sandra explicou que a Secretaria Estadual de Educação estimula a integração, mas que a forma como ela será realizada é responsabilidade de cada escola.
A pedagoga Maria das Graças Ferreira diz que a integração é fundamental e que seria interessante que a escola tomasse a iniciativa de chamar a comunidade e discutir com ela projetos para a utilização dos espaços. ''A escola precisa se tornar um pólo cultural, pode e deve fazer projetos que integrem a sociedade. Essa integração fará com que a comunidade se sinta mais responsável por cuidar e manter aquele espaço'', comentou.
Maria das Graças disse acreditar que os recursos e equipamentos devem estar a serviço da comunidade: ''Deveriam ser feitos projetos para que esses equipamentos pudessem ser utilizados. Muitas vezes as escolas ficam fechadas e os equipamentos ociosos, quando poderiam servir às pessoas''. Para ela, quanto mais integrada à escola estiver a comunidade e mais consciente de que aquele patrimônio é seu, menor será a depredação.

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