A Câmara Municipal de Londrina fez o que deveria fazer ao cassar os direitos políticos do vereador Orlando Bonilha, acusado de comandar na Casa um esquema de corrupção, envolvendo outros de seus pares. Não houve nenhum ato heróico dos 18 vereadores que, por unanimidade, votaram favoravelmente na decisão histórica de sábado. Porque, pelo louvável trabalho da Promotoria de Justiça e da polícia e pelas manifestações incessantes da opinião pública contra tais desmandos, nem de longe os vereadores ousariam votar diferente.
Mas há outros membros da Câmara denunciados (Renato Araújo, Osvaldo Bergamin e Flávio Vedoato), que estão afastados das funções por decisão judicial, e a comunidade - a tomar-se por base as vozes das ruas e as manifestadas inclusive por meio deste Jornal - quer que todos os que estão envolvidos em denúncias de irregularidade recebam idêntica punição ou, no mínimo, sejam (ou permaneçam) definitivamente afastados. Se existem testemunhas de acusação, e estas são idôneas, não há que contemporizar. Porque o cargo público, por princípio de ética e moral, não deve ser exercido por quem está sob suspeição. Até por questão de decoro os acusados deveriam pedir afastamento até que se realizem as investigações. Meio aos empurrões, celebrou-se a democracia com o caso de Bonilha, que foi presidente da Câmara e chegou a assumir a Prefeitura por alguns dias, na vacância temporária do titular e do vice-prefeito. O processo contra o vereador não se encerra aí, porque há um mandado de prisão preventiva contra ele, no momento foragido. Estes são episódios melancólicos na vida de um político, que se habilitou ao poder e recebeu o beneplácito popular mas não estava à altura do relevante mister.
Em ocasiões como esta, segmentos da sociedade, entre aqueles aptos a votar, questionam a posse dos suplentes, porque estes não receberam a unção do eleitor, portanto não foram eleitos mas apenas contemplados por um quesito da legislação eleitoral. E no caso de Londrina, no recente episódio de escândalos um suplente assumiu figurando também em história de corrupção. No entender - não desprovido de razão - desses cidadãos, o cargo deveria ficar vago em caso de renúncia, afastamento, cassação de direitos políticos ou outro motivo.
A crise política de Londrina apenas encerra um parte do caso, porque há ainda muita coisa por apurar, com relação a diversos vereadores. Porque de modo geral foi todo o corpo legislativo que veio aprovando projetos de lei agora sob suspeita de ilegalidade. O que se espera, também - porque este é um ano eleitoral - é que os partidos não homologuem candidaturas dos vereadores filiados que se encontram sob investigação.

mockup