Compromissos excluídos Marcos Isfer ‘‘Enquanto não estivermos comprometidos, haverá a hesitação, a possibilidade de recuar e a ineficácia. No momento em que definitivamente nos comprometemos, a Providência Divina também se põe em movimento’’. As palavras de Goethe resumem o desafio apresentado este ano à sociedade brasileira pela Campanha da Fraternidade, sob o tema ‘‘Dignidade Humana e Paz – Novo Milênio sem Exclusões’’. Afinal, os excluídos existem e persistem porque a maioria da população ainda não firmou um compromisso definitivo com o social. É por isso que a Campanha da Fraternidade deste ano é tão instigante. Primeiro, porque deixa de ser uma promoção exclusiva da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Sob a égide do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (Conic), a Campanha da Fraternidade reúne agora outras seis igrejas: Presbiteriana Unida, Ortodoxa Siriana, Evangélica Metodista, Evangélica Luterana, Episcopal Anglicana e Cristã Reformada. Este é um passo importante para acabar com o comodismo e o individualismo das entidades e organizações que atuam na área social, com o objetivo de reduzir as desigualdades em nossa sociedade. O compromisso, quando coletivo, traz sempre mais resultados que o engajamento solitário e individual. A união de sete igrejas cristãs na Campanha da Fraternidade simboliza um novo momento, que deve servir de exemplo para todos. Essa união não deve ficar segmentada. Ao contrário, deve promover o encontro de iniciativas públicas e privadas espalhadas em nossa cidade, nossa região, nosso Estado e nosso país. Em Curitiba, por exemplo, existem muitas ações direcionadas ao atendimento da população mais carente. Somente a Prefeitura Municipal mantém programas e projetos como o Sacolão Curitibano, Câmbio Verde, Mercadão Popular, Armazéns da Família, Armazéns Comunitários, Cesta Metropolitana, Liceu de Ofício, Mãe Curitibana, Vale Vovó, Refeição Solidária, Linhão do Emprego, Fazendo Escola, Cárie Zero, PIÁs no Esporte, Cidadão Saudável, Cooperativas de Trabalho, Atendimento a Deficientes, Central de Resgate Social, Centros de Atividades para Idosos, Atendimento em Creches, Pousada de Maria, Digitando o Futuro, Fazenda Solidariedade, Farmácia Curitibana, Disque Solidariedade, Formando Cidadão, Usina de Reciclagem, Vale Creche e Empório Metropolitano, entre outros. Listados assim, parece muita coisa. E é! Os 26 Liceus de Ofício, por exemplo, já garantiu a profissionalização de 12 mil jovens, abrindo as portas do mercado de trabalho. O Linhão do Emprego, que corta 18 bairros da cidade, está garantindo melhores condições de vida a 400 mil curitibanos, que foram incluídos na infra-estrutura urbana e viária que projetou Curitiba nacional e internacionalmente. O programa Refeição Solidária recebe doações diárias de 33 empresas da cidade e consegue doar 76 mil refeições por ano a 36 mil pessoas carentes. Tudo isso representa muito porque boa parte desses programas é mantida graças à participação da comunidade, através de empresas, entidades e associações. Mas ainda não é suficiente! Dados divulgados pela Campanha da Fraternidade revelam que 15,9% das famílias de Curitiba e região estão excluídas por ter renda igual ou inferior a um salário mínimo. No Paraná, esse índice sobe para 22,17%. As ações existem, não são poucas e apresentam resultados satisfatórios. Então, por que os índices da exclusão social em nosso país continuam a nos incomodar? Porque nem todos estão comprometidos. Porque muitas iniciativas são isoladas. Porque muitas ações existem para atender mais a interesses de projeção pessoal e política do que para promover a igualdade entre todos. Muitos não assumem um compromisso com os excluídos por serem prisioneiros de estruturas sociais e econômicas perversas, construídas sob os alicerces do egoísmo e do individualismo. Essa é uma barreira cultural que precisa ser vencida, com coragem e determinação. Afinal, Goethe já dizia: ‘‘Qualquer coisa que você possa fazer ou sonhar, você pode começar. A coragem contém em si mesma a força da magia’’. Que a Campanha da Fraternidade deste ano consiga despertar em todos nós a coragem capaz de combater de forma definitiva a exclusão social em nosso meio. MARCOS ISFER é Deputado Estadual e Secretário de Governo da Prefeitura de Curitiba

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