COMPROMISSO SOCIAL - Conceder bolsas é um dos papéis das universidades
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sábado, 17 de janeiro de 2009
Thiago Nassif<br>Reportagem Local 
Uma idéia a ter continuidade. Para comemorar seus 36 anos, a UniFil promoveu um concurso que envolveu alunos do Ensino Médio de escolas públicas e particulares de Londrina. No Concurso Oportunidade, vestibulandos de 57 escolas concorreram a bolsas e descontos conforme o desempenho na avaliação. O investimento chegou a R$ 1,5 milhão, com mais de 50 alunos sendo beneficiados.
Para o pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento Institucional, professor Mestre José Gonçalves Vicente, cabe às universidades implementar ações de responsabilidade social.
Em entrevista à FOLHA, Vicente cita dados de pesquisa que mostra que 70% das famílias londrinenses não têm capacidade de bancar seus filhos em faculdades particulares e a necessidade da criação de vagas para o percentual da população eliminada nas seletivas para as universidades públicas.
A ampliação do acesso à universidade é, para muitos, uma urgência democrática...
Esse processo surgiu a partir do momento em que analisamos que mais de 22 mil pessoas vão buscar uma vaga para estudar em universidades públicas. Em Londrina, a UEL oferece pouco mais de 3 mil vagas. Isso significa que 19 mil ficam sem estudar. Mesmo a metade desse número sendo de fora da cidade, ainda sim temos 9 mil filhos de Londrina que não conseguem estudar. Em recente pesquisa, detectamos que 70% das famílias de Londrina não podem pagar uma faculdade.
A oferta de bolsas integrais e parciais atingiu muitas escolas? Quantas foram convidadas a participar do concurso?
Todas as escolas públicas e particulares de Londrina foram convidadas e, de um total de 60, 57 mandaram seus alunos. Fizemos o concurso e aqueles alunos que se destacaram ganharam as bolsas.
O senhor acredita que, em se tratando de ensino, conceder incentivos a quem se destaca é uma boa alternativa?
Sem dúvidas. Na verdade, essa modalidade é um estímulo inclusive para as escolas, uma vez que estas também são premiadas. Em 2009, vamos instituir um prêmio para a direção das escolas. Iniciativas como essas fazem com que todo o ambiente escolar se volte a estudar mais, a se empenhar na busca de aprendizado, consequentemente obtendo reconhecimento.
Qual o perfil do vestibulando e do acadêmico do século XXI? A decoreba já era?
Na verdade temos, hoje, uma crise no ensino. Quando se fala em crise no ensino, não nos referimos somente ao Ensino Básico, onde recentemente testes internacionais nos colocaram, entre 60 países, na posição 57. É vexatório, mas o ensino, de um modo geral no Brasil, não está bom. E é claro que isso vai se refletir lá na frente. É importante deixar o aluno em contato com a realidade do mercado que vai encarar e não apostar somente num sistema conteudista. Quando o aluno sai da faculdade, ele precisa ter um mínimo de conhecimento e de prática para ingressar no mercado de trabalho, senão o mercado não o absorve.
Em recente entrevista à FOLHA, o ex-ministro da Educação Carlos Alberto Chiarelli afirmou que é nos momentos de crise que devemos investir na profissionalização. A máxima é verdadeira?
Acredito que sim, se pensarmos que os melhores salários e os melhores empregos estão na mão daquelas pessoas que têm uma titulação maior. Isso faz com que haja essa busca. Terminou o segundo grau? Não pode parar. Em todas as esferas, o processo é contínuo.


