Quando a primeira sessão da Assembléia Legislativa do Paraná for aberta na segunda-feira, 17 de fevereiro, paranaenses e londrinenses podem estar diante de um fator positivo para o Estado, que durante oito anos experimentou o fazer político da velha política. Agora, dos 54 deputados, 21 são novos e nunca estiveram no Legislativo Estadual. Historicamente, em 148 anos de Assembléia, quatro mulheres assumem simultaneamente cadeiras neste espaço.
A eleição de três londrinenses é sem dúvida um bônus não só para a nossa cidade, mas para a região. Depois dos escândalos que retiraram Londrina da rota do desenvolvimento, do mínimo planejamento urbano conjunto, do debate político estadual cujas alianças minaram a nossa representatividade a cidade ganha um novo fôlego. Isso pode significar uma melhor relação de proximidade do Estado e da União com a população londrinense.
Estabelecer essa proximidade com a população que represento torna-se um dos desafios à distância. A relação do político com a política e com o eleitor é de fato inteirar-se das complexidades da vida comum da população e agir visando ao interesse público. A população requer dos agentes políticos a discussão e resolução dos problemas que fazem parte da vida coletiva. O campo político tem como parâmetro o ideal, mas o que se obtém no nível prático historicamente sequer fica perto do que seria possível.
Porque o ''compromisso possível'' selado nas urnas foi o de estreitar os canais entre a fonte e o problema, o governante e o governado, a máquina estatal e o contribuinte, o dinheiro do imposto pago e a resolução das situações pelas quais qualquer cidadão comum clama: asfaltamento de bairros, melhores serviços públicos (saúde, educação, saneamento, segurança), maior atenção social aos menos favorecidos e, importantíssimo, o combate intensivo à corrupção.
As condições reais que se impõem no Poder Legislativo do Paraná e no círculo político em geral, e que serão enfrentadas com rigor, são a orquestração, a barganha, a política vulgar e depreciativa que desacredita qualquer cidadão. Frente às dificuldades do contexto, o (e)leitor mais atento perceberá que não se tratam de compromissos de campanha, e sim de compromissos morais inerentes a qualquer cargo público, a qualquer político, pois refletem as preocupações mais urgentes da coletividade. Um começo digno, digamos.
Uma agenda pública de velhos e novos problemas vem à tona. Entre as prioridades, a criação da Região Metropolitana de Londrina (RML), cujas tímidas iniciativas locais merecem maior suporte, a abertura de uma lista de CPIs, o debate sobre os serviços de água e esgoto da Sanepar, que deve passar a uma atuação mais social e ainda a possibilidade da municipalização.
Abrir a Assembléia à participação dos comuns, interceder nas questões importantes à cidade e ao Estado, defender a nova política contra a política velha. Sinto-me à vontade para dizer que estou com Londrina e com o Paraná. Espero que a recíproca também seja verdadeira.
ELZA CORREIA é deputada estadual (PMDB)

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