Comportamento ético
Além da grave crise econômica e política, é consenso entre os brasileiros que o País enfrenta um dilema ético. Se antes da Operação Lava Jato que revelou o grandioso esquema de cobrança de propina e de enriquecimento ilícito de políticos e empresários de certo modo a corrupção era tolerada, agora a população tem repensado a prática e os males causados a todo o País.
No entanto, além de indignar-se com a roubalheira na administração pública, todos os brasileiros devem fazer a sua parte e agir de maneira ética. Comprar produtos pirateados, dar propina a guardas de trânsito para evitar uma multa, furar fila, enfim, corroborar com o famoso "jeitinho brasileiro". Estes exemplos são práticas arraigadas na cultura brasileira, mas é preciso agir de modo diferente para mudar tudo isso.
Em entrevista publicada nesta FOLHA, o diretor-executivo do Instituto Ethos afirma que a maioria dos empresários está alheia à política. Faz parte também da cultura evitar o envolvimento em questões polêmicas. No entanto, enquanto a maioria prefere tocar seus negócios separadamente da vida pública do País, dois grupos minoritários acabam fazendo parte do processo. Um atua de forma íntegra, na construção de políticas gerais para toda a sociedade, enquanto o outro age de forma "perversa" para defender seus próprios interesses.
A avaliação é que o empresariado tem se engajado mais nos últimos anos e, além disso, foram conquistados importantes avanços legais, como a Lei da Ficha Limpa, do Acesso à Informação, o fim do financiamento privado de campanhas políticas, entre outras legislações. No entanto, todos concordam que é preciso avançar mais e que uma mudança na cultura depende de todos os envolvidos. Os brasileiros têm que se conscientizar de que o bem comum deve se sobrepor a interesses particulares. O desenvolvimento e o crescimento só ocorrerão a partir de mudanças estruturais, inclusive na sociedade.





