Comportamento de risco
Os jovens brasileiros não estão levando a sério a prevenção contra a Aids e outras doenças sexualmente transmissíveis. Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) descobriu que um terço dos entrevistados com idade entre 14 e 25 anos nunca usa camisinha em relações sexuais. As mulheres são as mais omissas, pois 38% das garotas disseram nunca usar, contra 29% dos homens.
Ouvindo 1.742 pessoas, o estudo buscou entender o comportamento dos jovens brasileiros com relação ao uso de álcool e drogas, vida sexual e cuidados com a saúde física.
Conforme os pesquisadores, a falta de prevenção no sexo leva a outros dados preocupantes: 32% das jovens entre 14 e 20 anos já engravidaram ao menos uma vez. Desse total, 12,4% tiveram aborto espontâneo ou provocado, ou seja, uma boa parte das meninas tiveram contato com clínicas clandestinas, colocando em risco sua própria vida.
O fato dos jovens deixarem de usar a camisinha causa espanto porque essa forma de prevenção é bastante abordada em campanhas educativas em veículos de comunicação. É preciso, então, questionar se a educação sexual está acontecendo de forma competente nas escolas e em casa.
Atualmente, o tema é abordado com bastante liberdade no cinema e na televisão. Muitos pais até se sentem à vontade em assistir com os filhos novelas e filmes com cenas de sexo, porém, ficam constrangidos de falar abertamente sobre o tema.
O Ministério da Saúde também contribui para a desinformação quando usa critérios não técnicos para retirar de circulação cartilhas educativas que seriam distribuídas para auxiliar professores nas aulas de educação sexual. Por critérios não técnicos, entenda a pressão de grupos religiosos.
Enquanto isso, os jovens continuam correndo risco de uma gravidez indesejada ou de uma doença grave.





