COMPORTAMENTO CONSTITUTIVO - 'Não se acaba com a violência'
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sexta-feira, 06 de agosto de 2010
Bruno Maffi<br>Reportagem Local 
No filme ''2001: Uma Odisseia no Espaço'', de Stanley Kubrik, há uma cena em que os macacos descobrem a utilização de ossos como arma mortal. Quando o macaco vitorioso lança para o alto o ''osso-arma'' de morte, tem-se uma fusão: o surgimento de uma nave espacial gigante com formato de carrossel. Dois mundos, o antigo e o moderno, que se imbricam e se confundem, tendo como elemento de conexão algo natural do ser humano, a violência.
A doutora em Ciências Sociais Francisca Verginio Soares aponta a violência como um comportamento constitutivo, que é característico do ser humano. ''Não se acaba com a violência. Um grande desafio para amenizar o crescimento do problema é desconstruir no imaginário social a ideia de que é possível elaborar um plano estratégico para erradicá-lo'', declara.
Francisca considera que a impunidade alimenta o surgimento de novos crimes e sugere uma especial atenção neste período de eleições às falsas promessas de soluções para a violência. ''É preciso prestar atenção nos discursos dos candidatos sobre propostas mirabolantes nesse terreno. No Brasil há um excesso de leis. O que é urgente é que sejam cumpridas. A impunidade contribui para o crescimento de assassinatos bárbaros em nossa sociedade.''
O que acelera o crescimento da violência na sociedade brasileira?
Sem titubear, a impunidade é o acelerador. Essa questão está no centro do debate político brasileiro, seu reflexo mais imediato é o crescimento da violência de um modo sem precedente. Se a impunidade é uma regra e não uma exceção, torna-se muito difícil inibir o crime porque não é a extensão da pena o mais importante, mas a certeza da punição.
O individualismo e o subjetivismo colaboram no processo do aumento da violência?
Se entendermos esse individualismo como aquele onde prevalece o egoísmo e o narcísico, a resposta é sim. As sociedades de todo o planeta caminharam para esse tipo de individualismo em que não há mais espaço para o outro. O indivíduo narcísico, movido pela sua subjetividade, passa a agir e pensar como se vivesse num mundo virtual onde não existem pessoas. Isto é o que consideramos a cultura do individualismo.
Como as pessoas reagem ao medo da violência?
O medo tem levado cada vez mais os indivíduos a ações desesperadas, como por exemplo, o crescimento em 70% do número de armas de fogo vendidas no Brasil, desde a aprovação do comércio de armas em 2005. O medo move o ser humano negativamente, porque nos leva a agir individualmente e não coletivamente. Enquanto as pessoas não se unirem em ações comunitárias contra a violência, ela tende a crescer. Não é uma questão de represálias, mas de acompanhar o
O que fazer para frear a violência?
Em Londrina, muitas coisas estão em andamento, como o uso de câmeras de vigilância, a criação da Secretaria de Defesa Civil e da Guarda Municipal, que esperamos realmente exercer um papel determinante nesse processo. Seria interessante também criar a Rede de Vizinhos Protegidos, requalificação dos espaços públicos e integração das políticas sociais. É preciso o máximo de integração da população, das organizações civis e empresariais às ações já vigentes, para abordar os crimes.
Como pais e educadores podem contribuir com a formação de uma sociedade menos violenta?
Vivemos em um mundo onde os indivíduos perderam seus referenciais. Os valores estão distorcidos. Os pais e educadores devem incentivar a cultura da paz em detrimento da cultura da crueldade, passando assim a adotar condutas sociais menos violentas. Um herói não precisa ser necessariamente um ícone da mídia. Pequenos e bons exemplos podem conquistar para a paz.


