A morte do Papa João Paulo II causa consternação em todo o mundo, tanto no seio da população católica, que soma mais de 1 bilhão de pessoas, como das demais religiões e dos líderes políticos de todos os países, porque o Pontífice era um mediador ante delicadas questões da dissidência entre nações e sempre posicionou-se imparcial e conciliador. Antes de tudo foi um pregador da paz e um defensor da causa dos menos privilegiados. Isto marcou fortemente a sua luminosa passagem pelo ministério papal, que durou 26 anos.
O Papa não foi apenas um líder político no sentido superlativo do termo, que se preocupou em toda a sua vida sacerdotal com os perseguidos e com os excluídos, mas um zeloso guardião do culto à espiritualidade. Se cessa a sua voz, se o mundo não mais o verá beijando o chão ao desembarcar em países estrangeiros, a lembrança de sua mensagem permanecerá nas mentes e nos corações dos bilhões de seres sensíveis do mundo, católicos ou não-católicos, que sustentam bandeiras de paz e de convivência harmoniosa entre os povos e tinham no Pontífice um sendeiro.
Dos 264 Papas que reinaram, a partir do galileu Simão Pedro (na quase totalidade italianos), o polônes João Paulo II decidiu que seu pontificado deveria ser exercido em viagens pelo mundo, no contato direto com as pessoas, e assim fez. Contrariando a tradição rígida do Vaticano, que nunca desejou a popularização dos Papas, João Paulo visitou 129 países e 617 povoados e santuários. Sua intimidade com as autoridades, com os líderes religiosos e com os governantes das nações visitadas, assim como com as pessoas no geral, foi facilitada pelo seu domínio de todas as línguas ocidentais e boa parte das do Leste, bem como do latim e do grego.
Nenhum outro Papa esforçou-se tanto em aprender esses idiomais, até porque não desejaram deixar Roma e embrenhar-se pelo mundo. Os Papas João XXIII e Paulo VI foram seus precursores no ideal de um ministério voltado para os deserdados, e João Paulo II consolidou essa posição no espírito da Igreja Católica e robusteceu a força política desta já poderosa instituição, tornando-a muito mais forte e mais respeitada por todos os governos do mundo e por toda a humanidade. Seus discursos, encíclicas e outros documentos de interesse público perfazem 80 mil páginas e estão disponíveis, e sua obra mais voltada para os problemas do mundo do que para as questões internas e para o expansionismo da própria Igreja que comandava o situam entre os notáveis líderes religiosos e pacifistas que povoaram a Terra.

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