Como você escolhe o seu candidato?
Será que é por afinidade; por amizade; por ouvir falar dele, ou pelas propostas de governo? Talvez, você dirá que é baseado nas propostas de governo! Deve-se analisar a melhor delas e, aí sim, votar! Será mesmo? Albert Einstein dizia: "Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes". Será que as propostas dos candidatos são realizáveis? Na maioria das vezes, são boas - mas será que isso garante que serão colocadas em prática, e que será de fato efetivada durante a gestão? É preciso analisar com mais cautela em quem vamos votar - Se fosse fácil escolher um candidato não elegeríamos maus políticos. O senso comum nos faz acreditar que, se existe político ruim é porque votamos mal - Com raras exceções, o candidato se mostra uma boa pessoa, caso contrário não votaríamos nele, e apesar de alguns eleitores trocarem o voto por qualquer coisa, os demais não podem levar a culpa. Você gostaria que dissessem que você é culpado por alguém ter assaltado a loja da esquina?
Afinal, como escolher um bom candidato? Se temos que escolher bem e, no entanto, não temos feito boas escolhas, como então dizer que não é nossa culpa? Imagina que você decida comprar um carro para fazer uma viagem, e na escolha do carro você opta pelo melhor, acolhendo a sugestão do vendedor, de que esse é o melhor carro (lembre-se: o vendedor está mentindo) e, então, você aceita a proposta - compra o carro e segue viagem - nesse período o carro apresenta uma série de problemas... Qual seria o seu pensamento sobre essa compra? Não seria, "fui enganado?" É isso mesmo. É simples assim! Mas a culpa é totalmente do vendedor (candidato)? Talvez!
Existe algo chamado "sofisma" - na obra "Tratado dos Sofismas Políticos", Jeremy Bentham diz que o sofisma é um argumento falso, capciosamente revestido de uma verdade -, é uma má-fé aplicada de forma sutil e invisível. Alguns espertalhões da política utilizam-se desta prática para falsear uma verdade maquiando a realidade dos fatos - complicado, não? Eu diria que o mais importante seria analisar o que eles não falam. Então, é complicado escolher? Claro que sim!
Já ouviu algum candidato dizer: eu não faço promessas, eu assumo compromissos!? Que bonito, não é? Se não é promessa e é compromisso, por que então não faz o que assumiu durante a campanha eleitoral? Imagina se fosse aplicado o artigo 37 do CDC, aos políticos: "É proibida toda publicidade enganosa [...]". O que é administrar, senão um serviço à população? Quando eleito, alguns políticos esquecem os compromissos. A verdade é que, para que se concretizem as promessas de campanha, não basta apenas a vontade de quem a faz - depende de tantos outros fatores que é impossível afirmar ser possível cumpri-las. Quem assim o faz, ou é muito otimista achando que na política é como num estalar de dedos, ou está sofismando. Existem boas intenções, mas muitas vezes são apenas iscas para pescar o seu voto.
Procure saber quem está apoiando o seu candidato, e se já foi político, veja se ele fez tudo o que prometeu, se o candidato não mudou de partido apenas para adaptar-se às vontades desse grupo, se não falavam mal um do outro pouco antes da campanha, quais os projetos de lei ele apresentou, caso já tenha sido vereador. Ele é católico ou evangélico? O vê nas missas ou cultos? O que ele pensa sobre empregar parentes em cargos comissionados, qual a opinião dele sobre aborto, eutanásia, ideologia de gênero, quando foi político ele enriqueceu-se de forma inexplicável? O que está fora das linhas das propostas é mais importante do que o que se escreve nelas. Não se engane com falácias. Como diz Chesterton, em sua autobiografia: "A terra encantadora era um deserto de pedra escarpada se estendendo até o horizonte".
MARCOS ANTONIO DE ARRUDA é estudante de Direito na Unopar e Conciliador no Juizado Especial, no Fórum de Cornélio Procópio
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