Como viver bem em condomínios
Salomão Rabinovich
Para analisar de forma precisa e abrangente os conflitos de convivência da população dos grandes centros urbanos, temos que levar com conta, de forma categórica, que a saturação social verificada na cidade de São Paulo é reflexo da falta de planejamento urbano e de infra-estrutura para o atendimento das necessidades sociais. Isto tende a piorar e tem como motivo a incapacidade moderna de administrar suas inseguranças, refletindo em um isolamento das pessoas.
O estresse emocional dos moradores das grandes metrópoles é influenciado diretamente, entre outros fatores, pelos índices alarmantes de violência, fato confirmado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em especial na América Latina. Por isso pedimos a atenção do governo federal, estadual e municipal, em especial do presidente da República que tem a responsabilidade de combater essa praga. Caso contrário seremos vítimas de uma epidemia incontrolável.
O mundo está mudando em velocidade assustadora. Para acompanhar esse processo, as habitações vêm se transformando em verdadeiros feudos particulares e as construtoras têm afinado seus conhecimentos de engenharia e arquitetura em busca de novas formas e concepções para a construção de uma moradia.
A sociedade, de modo geral, também tem buscado formas de conseguir mais segurança, tranquilidade, paz e lazer. Em condomínios isso é percebido no esforço dos moradores em utilizar melhor o tempo livre. Alternativas simples como: campeonatos esportivos; excursões; montagens de peças teatrais; oficinas culturais; estudos esotéricos; etc, são mais passíveis de êxito, na medida em que proporcionam um estreitamento na convivência humana. O síndico tem um papel fundamental, pois deve facilitar a realização desses eventos.
A integração dos moradores transforma os condomínios em locais mais agradáveis para o exercício da vida comunitária e derruba o conceito: ‘‘Condomínio, simples estacionamento de pessoas’’.
Para se alcançar a harmonia entre os moradores, alguns fantasmas como a falta de segurança, trânsito caótico, inexistência de eficientes programas governamentais que solucionem, de fato, a criminalidade urbana, não podem ser analisadas de forma isolada. Além disso, os relacionamentos humanos, cada vez mais efêmeros, devem ser reavaliados.
Se juntarmos a isso tudo mais um ingrediente, chamado desemprego, teremos traçado o caminho do medo. Recentemente, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Ibope divulgaram uma pesquisa onde 69% da população brasileira, principalmente a mais jovem, teme a perda do posto de trabalho. Sabemos que essas inseguranças elevam substancialmente o nível de estresse gerando distúrbios orgânicos, psicoemocionais, impotência sexual e, até mesmo, ruptura do relacionamento familiar.
A cidade de São Paulo, com perto de 30 mil edifícios, deve privilegiar a melhoria da qualidade de vida dos moradores nesta virada de milênio. Esse trabalho árduo, requer compatibilização de interesses, necessidade e comportamentos distintos.
A iniciativa do Secovi-SP em promover o 1º Encontro Nacional de Administradores de Condomínios - Enacon, nos dias 25 e 26 de maio, no Hotel Maksoud Plaza (Capital), irá proporcionar uma verdadeira radiografia do setor e dar início a um debate nacional. A oportunidade de abordar de maneira mais aprofundada os aspectos psicossociais e suas influências no cotidiano dos moradores de condomínios, bem como os conflitos existentes, será um momento único, já que não existe trabalho técnico ou acadêmico que aborde essas questões e suas implicações na convivência em condomínios. Todos, com certeza, chegarão a conclusão de que é possível ser feliz mesmo vivendo em condomínio. Até lá.
- SALOMÃO RABINOVICH é psicólogo clínico e membro da Academia Paulista de Psicologia

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