Nossos atos são como a imagem de uma fotografia. Ali ficam gravadas particularidades que só percebemos olhando a foto. O que não havíamos observado claramente no momento da pose e da coisa fotografada, se revela. Se somos nós que estamos na foto, aí os detalhes ficam ainda mais aparentes. Quando a foto é antiga, achamos graça de como éramos, e nos vemos lindos ou às vezes ridículos. A fotografia relata um momento e o comportamento de um instante.
É assim como nossos atos. Quando os cometemos no mais das vezes voluntariamente não assumimos muita consciência disso e dos resultados, imediatos e futuros. Mas eles ficam gravados no tempo, como uma fotografia. Os anos passam e o reflexo desse ato se manifesta.
Antes de fazer a pose fotográfica deveríamos verificar se o corpo está aprumado, se o cabelo não está em desalinho, se não estamos fazendo gestos bobocas ou querendo aparentar excessiva seriedade.
Assim com a vida. Da forma que nos posicionamos, assim será o retrato. Depois, não será possível mudar o que foi feito. Negligenciamos, em certos momentos, com nossas atitudes do dia-a-dia, sem muita preocupação com a consequência, que poderá ter sequelas prolongadas. Aí pensamos por que fizemos aquilo. Se for uma coisa boa, ótimo! Mas se for algo desagradável, o que mais queremos é retroceder no tempo e inverter aquele procedimento. A tomada de consciência só chega depois, quando já se produziram muitos estragos.
Se o ato foi bom, olhamos para os benéficos resultados e ficamos felizes, orgulhosos de nós mesmos, e assim marchamos olhando a vida com mais alegria. Pensamos, então, como foi bom ter feito a coisa daquela maneira; ou, ao inverso, como poderíamos ter feito diferente e assim evitado danosos resultados. Um simples dar de ombros teria mudado o rumo das coisas.
O retrato fotográfico mostra o efeito de um momento: a postura e a imagem; assim o ato e o resultado, imediato ou posterior. Nossas atitudes diárias são constantes registros fotográficos de nossa existência.
Cada momento do agora deve ser como o da pose de uma fotografia. Vamos um dia rever a imagem, e aquilo que parecia de pouca importância uma coisa boa ou má ganhará amplitude com o olhar do tempo.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

mockup