Passar no vestibular envolve vários sentimentos e mudanças de vida. Não significa somente ser aprovado em um concurso. Significa o início de uma caminhada para a vida adulta, pois é entrando na faculdade que a maioria dos jovens tem contato pela primeira vez com a carreira profissional que escolheu.

Mas a aprovação também significa passar por um ritual, a tradição do trote. Há trotes "inofensivos", brincadeiras que buscam a diversão e que a participação é voluntária. Mas, infelizmente, são muitos os casos envolvendo abuso da violência e da humilhação com os novos alunos. Anos atrás um calouro de medicina da USP (Universidade de São Paulo) morreu afogado em uma piscina durante uma festa promovida pelos veteranos.Também não são raros os relatos de abuso sexual durante os trotes.

Não à toa os calouros são chamados "bixos" - com "x", como a palavra "bicho" ficou popularizada nos ambientes universitários. Raspar a cabeça só é inofensivo se o jovem quiser. Mesmo assim, desde que a prática do trote foi proibida na UEL (Universidade Estadual de Londrina), há 12 anos, atos como esse não são permitidos.

Nesta segunda-feira (2), as aulas retornaram à UEL e a mensagem que a instituição preparou para dar boas-vindas aos mais de três mil ingressantes é de respeito e autocuidado. Nessa primeira semana, calouros e veteranos conhecerão os detalhes de uma campanha em que o mote busca incentivar as relações interpessoais sem conflitos e aceitando as diferenças. Com o tema “Antes de Tudo #EuRespeito”, a campanha estará estampada nas camisetas de professores, servidores e estudantes.

A pró-reitora de Graduação, Marta Regina Gimenez Favaro, diz que a ideia é colocar cada pessoa como protagonista das atitudes de respeito, desde a relação com o outro até sobre os espaço públicos e o patrimônio da Universidade. Respeito é importante em todas as instituições e empresas. Mas em uma universidade, que trabalha com a formação de pessoas, não se admite outra postura.

A recepção aos novos alunos também priorizou a saúde mental e para tanto centenas de estudantes receberam informações sobre autoconhecimento, principal ferramenta para o autocuidado. Os colegiados dos cursos também vêm promovendo ações solidárias com o objetivo de integrar os acadêmicos e aproximar a universidade da comunidade.

Infelizmente, apesar de toda o esforço das universidades em transformar os trotes em ações positivas, todos os anos ouvimos relatos de situações de humilhação ou violência envolvendo calouros universitários. Discute-se muito o bullying no ensino médio, mas o que seria o trote violento se não uma forma de agredir física ou verbalmente um colega. É quando só o veterano acha a brincadeira engraçada. Aos calouros há sempre a opção de não se calar e denunciar.

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