Como se chega ao topo
José Whitaker PenteadoEstá me surpreendendo um pouco o sucesso que está fazendo o meu livro ‘‘Como Eles Chegaram Lᒒ (Campus, 1999). Trata-se – para quem ainda não conhece – de uma coleção de entrevistas com 10 profissionais brasileiros de sucesso: Christina Carvalho Pinto, Joaquim Francisco de Castro Neto, João De Simoni, Roberto Duailibi, Armando Ferrentini, Francisco Gracioso, Nizan Guanaes, Marcos Magalhães, Carlos Arthur Nuzman e Carlos Salles.
As probabilidades são de que você conheça quase todos, pois – sem nenhuma exceção – todos exercem funções de liderança em suas empresas ou instituições e são citados ou entrevistados, com alguma frequência, na imprensa especializada ou aparecem como conferencistas ou palestrantes em reuniões e seminários.
O que é inusitado, contudo, é que se tratam de 10 pessoas incomuns para estarem juntas em um livro, justamente por serem pessoas comuns. Explico: a grande maioria dos livros de auto-ajuda que estão nas listas dos best-sellers, ou as entrevistas nos programas da TV ou nos jornais e revistas de grande audiência ou circulação, são feitas com as pessoas consideradas celebridades. Como Bill Gates, digamos, o homem mais rico do mundo, ou Ronaldinho, o Papa ou Hilary Clinton.
Gente que todo mundo conhece, que estão nas primeiras páginas e no horário nobre, porque vendem jornais e revistas e garantem audiências milionárias. Serão talvez umas mil pessoas em todo o mundo.
Aí é que eu acho que está o nicho especial em que se inseriu o livro. Por mais fascinantes que sejam essas criaturas, a meio caminho entre a fantasia e a realidade, as probabilidades de uma criança que está nascendo hoje tornar-se uma delas é de uma para 6 milhões. Bem mais fácil, portanto, ganhar o primeiro prêmio na loteria, ou quebrar a banca num cassino...
Mas os meus personagens são gente de carne e osso, que anda tranquila na rua, sem atrair a atenção de fãs ou necessitar de guarda-costas; que conquistou, em idade ainda relativamente jovem, aquilo que queria: dinheiro, uma dose razoável de poder, um trabalho interessante – em outras palavras, sucesso, na vida real e possível. Mesmo num país de grandes injustiças sociais – como o Brasil – onde não passam de mais ou menos 1% – significa que suas chances são bem maiores: uma de cada 100 pessoas.
Acho que nessa relação entre 1:6.000.000 e 1:100 é que está o segredo do sucesso de Como Eles Chegaram Lá.
Em primeiro lugar, nenhum dos meus entrevistados pode ser considerado – no contexto brasileiro – um super-herói ou mesmo uma superpessoa. Nas suas raízes familiares, são filhos de profissionais liberais, comerciantes, funcionários públicos, militares, alguns netos de famílias patrícias, outros filhos e netos de imigrantes – quase iguais aos que protagonizam a novela Terra Nostra... O que parece ser um traço comum a todos é que suas experiências de vida – particularmente na infância e na adolescência – lhes trouxe disposição e capacidade para trabalhar muito, trabalhar bastante e sempre, estabelecendo uma relação de causa-e-efeito nem sempre evidente numa sociedade brasileira entre o esforço individual e a geração de riqueza, na forma de bens materiais.
Depois, não há um só, entre eles, que tenha considerado o dinheiro como única medida de sucesso. Nas suas respostas às perguntas que fiz surge uma variedade de sensações e experiências, como ter alegria e bom humor, paixão e prazer, interesse e fascínio, compreensão e sensibilidade, confiança e vontade de destacar-se, de fazer melhor que os outros, ou gostar de gente e ter, é verdade, um pouco de sorte.
Finalmente, houve três ingredientes que pareceram estar presentes em todos os casos: (1) todos lidam com o sucesso como uma ciência, algo que pode ser controlado, uma tarefa a realizar se você tiver consistência de propósito e souber aonde deseja chegar; (2) a utilização do marketing pessoal, não como ferramenta de vaidade ou distração, mas como consciência do que preconizava o poeta Maiakovski (e nosso Joãozinho Trinta), de que gente foi feita para brilhar; e (3) a capacidade de aproveitar as oportunidades – que, na vida da maioria das pessoas, são muito mais frequentes do que se imagina.
- JOSÉ WHITAKER PENTEADO é profissional de marketing, professor e dirigente universitário no Rio de Janeiro. [email protected]

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