A importância do agronegócio para o Brasil, em grande escala ou na agricultura familiar, é inquestionável. Para os mercados interno e externo, os alimentos produzidos no país têm comprador certo, faturamento bilionário e um forte know-how. E é em um momento único como o atual, com o mundo modificado devido à pandemia da Covid-19, que o segmento se torna ainda mais relevante.

Apesar da oscilação entre as ondas de diminuição e aumento dos casos da doença, todos necessitam se alimentar e, para isso, o comércio precisa acontecer. Consciente disso, o governo federal publicou, em março, o Decreto 10.282, declarando que a produção, circulação e comercialização de alimentos são atividades essenciais.

Além disso, a União considera o agro fundamental para a recuperação econômica do País, o que explica, por exemplo, mesmo em um período complexo para as finanças da nação, o Plano Safra 2020/2021 ser 6,1% maior que o anterior. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) anunciou recursos totais de R$ 236,30 bilhões.

O agro, que se tornou referência em modernização e tecnologia, representou 21,4% do Produto Interno Brasileiro (PIB) em 2019, um crescimento de 3,81% comparado com 2018. Este ano, enquanto outros setores fundamentais da economia brasileira entram em declínio, o campo apresenta perspectiva de crescimento de quase 3%, segundo o Banco Central.

Esses números e conjunturas mostram que o agro, com exceção de alguns segmentos – como etanol e flores –, se sairá bem na pós-pandemia. O estudo da PwC “Impactos da Covid-19 no agronegócio brasileiro” apresenta três ondas de respostas para a crise. A primeira é “mobilizar”, garantindo a segurança dos colaboradores e estabelecendo uma resposta estruturada. Em seguida é o momento de “estabilizar”, em que se desenvolve respostas táticas aos desafios de navegar no chamado “novo normal”. E, por último, estabelecer a “estratégia”, se planejando para seguir mais forte na economia pós-covid.

O estudo lembra que, no agro, apesar da cadeia e segmentos atuarem de forma conjunta, elas trabalham de maneira distinta, como: insumos (antes da porteira), agricultura e pecuária (dentro da porteira) e indústria (depois da porteira).

Nesse sentido, é fundamental realizar ações que protejam o setor e sejam capazes de reduzir impactos no desempenho. Sendo assim, gestores do agronegócio devem ter em mente pontos fundamentais como o controle de custo de produção, as políticas de risco para minimizar os impactos das incertezas, a identificação dos principais produtos demandados e de novos canais de distribuição, a busca por novos parceiros, o reforço na segurança cibernética em casos de home office, entre outros.

Está claro que, com menor ou maior intensidade, a pandemia pode afetar a oferta e a demanda no agro, mas, até o momento, também é possível notar que a maior parte do setor agrícola do Brasil prospera, conforme já anunciou o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA, sigla em inglês).

O governo federal, os países exportadores e os brasileiros podem continuar confiantes quanto ao desempenho do agro, mesmo na pós-pandemia, em todos os segmentos da cadeia. O Brasil tem o mais forte sistema de produção de alimentos do mundo, posição que está mais que confirmada durante a Covid-19.

Adriano Machado, sócio da PwC Brasil.

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