Ouvi dizer que em um certo país, onde grande parte das mais altas autoridades da República "Democrática", no Executivo, no Legislativo, no Judiciário e nas Forças Armadas tem a tendência de possuir um grande grau de masoquismo.

Na minha ingenuidade, quando alguém é acusado de um crime, uma irregularidade, ainda mais quando exerce um cargo que tem como referência a necessidade de demonstrar inequívoca honestidade e conduta moral ilibada (como a mulher de César, "não basta só ser honesta, deve também parecer honesta" ).

Estas pessoas, nesta posição de influência e poder (principalmente o público), não basta ter conduta correta, é crucial evitar qualquer suspeita ou aparência de irregularidades.

Porém, quando acusadas de qualquer tipo de má conduta ou crimes, vastamente divulgados pela imprensa, preferem ver sua imagem, seu caráter destroçado, aniquilado, quando poderiam apresentar provas e fatos que comprovassem sua alegada inocência, já que estas provas eles têm facilmente ao seu alcance (porque não apresenta- las?).

Seria por sadismo ou masoquismo?

Se não, vejamos alguns fatos: Um empresário de alta patente neste país oferece "pequenos mimos "a estas altas autoridades, como por exemplo uma viagem a Londres com " pequenas mordomias" .

Oferece contratos milionários de assessorias jurídicas, consultorias, conselhos de administração e outros para seus familiares e gente próxima. Viagens em jatinhos para jogos de futebol no exterior, ou festinhas íntimas. Compra participações milionárias em altos empreendimentos dessas autoridades. Porém, quando acusados de qualquer facilitação ao empresário, envolvendo sua influência e poder, as quais eles alegam absoluta inocência, preferem não apresentar ou esclarecer essas dúvidas e acusações, com provas cabais de sua inocência.

Preferindo ficar no limbo de (a mulher de César não basta ser honesta, tem que parecer honesta), ao invés de se afastar de toda alegação de que estes "mimos" foram concedidos ou oferecidos buscando vantagens indevidas, mesmo sabendo que esse empresário estava envolvido numa teia de irregularidades e crimes.

Lógico que o empresário poderia ter oferecido os mimos apenas pela admiração, e como reconhecimento aos bons serviços prestados à nação por essas brilhantes autoridades, sem nenhuma outra intenção de obter vantagens indevidas.

Afirmar que altos investimentos feitos em um resort no qual a humilde família de um ministro tem uma razoável participação e que esses recursos poderiam advir em parte de uma decisão monocrática deste ministro na anulação de uma multa bilionária de uma empresa são hipóteses que tem que ser provadas.

A equação que eu não entendi é: sendo eles inocentes e tendo a possibilidade de apresentar as provas que eles têm, por que não o fazem?

Por exemplo: No caso da ligação telefônica do empresário, no dia de sua prisão, a um telefone do STF. Bastaria que o STF apresentasse a prova de quem recebeu a ligação não foi o ministro acusado de recebê-la.

O outro ministro, bastaria abrir as contas das empresas e fundos que investiram no resort e de seus parentes de grande sucesso empresarial.

Talvez não façam isto unicamente pelo prazer do masoquismo.

Ou talvez não seria por acaso que me disseram que neste país, que a bandidagem se instalou em todos os mais altos escalões dos poderes, formando uma cadeia de proteção de seus delitos, no mais alto grau da conduta mafiosa (não me importune com meus delitos, que eu não te importuno com os teus).

Que neste país, mesmo réus confessos que devolveram parte do objeto do furto, foram inocentados, com alegação de condutas equivocadas nos processos.

Neste país os processos burocráticos se sobrepõe à verdade.

Mesmo com um cadáver exposto e o assassino com a arma na mão.

Acredito que neste país a única justiça que se pode esperar é a justiça transcendente de Deus.

E como na Lava Jato, novamente veremos os safados dos Três Poderes da República se safando de seus delitos.

Claudio Tedeschi, leitor da FOLHA

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