Como mobilizar o eleitor
Quando jovens e idosos deixam de comparecer às urnas, suas demandas podem perder espaço no debate público e na formulação de políticas
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sexta-feira, 02 de outubro de 2026
Quando jovens e idosos deixam de comparecer às urnas, suas demandas podem perder espaço no debate público e na formulação de políticas
Folha de Londrina 
O perfil do eleitorado brasileiro está mudando, cenário que aponta para o desafio de assegurar a participação dos cidadãos na escolha de seus representantes. Nas eleições de 2026, o Paraná terá 8,6 milhões de eleitores aptos a votar, mas, por trás do crescimento modesto de 1,57% em relação a 2022, há uma transformação significativa na composição desse contingente.
De um lado, a redução de 18,7% no número de eleitores de 16 e 17 anos. De outro, o crescimento de 24,6% na faixa de 70 anos ou mais. São movimentos que refletem mudanças demográficas, como a queda da natalidade e o aumento da expectativa de vida, mas que também colocam em evidência a necessidade de ampliar o envolvimento da população com a política. Nas duas faixas etárias, o voto é facultativo.
Entre os jovens de 16 e 17 anos, o número de eleitores caiu de 95.684 em 2022 para 77.745 neste ano. Já o contingente de eleitores com 70 anos ou mais passou de 762.096 para 949.909.
O voto também é facultativo para pessoas analfabetas e somando os três grupos, chegamos neste ano a um universo de 1,12 milhão de paranaenses que não são obrigados a votar.
Um movimento semelhante aparece no cenário nacional. Segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o Brasil passou de 156.454.011 eleitores em 2022 para 158.745.463 neste ano, alta de 1,46%. Enquanto o número de jovens de 16 e 17 anos caiu de 2.116.781 para 1.634.244, uma redução de 22,8%, o eleitorado com 70 anos ou mais passou de 14.893.281 para 17.251.915, crescimento de quase 16% em quatro anos.
Por que falar do voto facultativo às vésperas do pleito? Porque a população deve compreender que a oportunidade de votar representa exercer a cidadania. Quando jovens e idosos deixam de comparecer às urnas, suas demandas podem perder espaço no debate público e na formulação de políticas. Em uma eleição marcada pela polarização e por disputas acirradas, a mobilização desses segmentos ganha relevância ainda maior.
O desafio de incluir jovens menores de 18 anos e idosos com mais de 70 anos no processo eleitoral cabe tanto aos partidos e candidatos quanto à sociedade e às instituições.
É importante que os postulantes aos cargos públicos apresentem propostas que dialogam com diferentes gerações. Aos jovens, é necessário mostrar que as decisões políticas têm consequências concretas sobre educação, emprego, renda, meio ambiente e perspectivas de futuro. Aos idosos, garantir condições de participação e apresentar respostas para questões como saúde, mobilidade, previdência, moradia e cuidados.
No próximo domingo, 4 de outubro, mais de 8 milhões de paranaenses terão a oportunidade de participar da escolha dos rumos do País e do Estado. Assim, importante lembrar que uma democracia representativa se fortalece quando a cidadania é exercida por convicção, e não apenas por obrigação legal.
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