Como manter o emprego em momentos de crise
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segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da FOLHA 
Curitiba - Dentro das promessas de fim de ano, muitas pessoas incluem desejos profissionais de subir na carreira e ganhar reconhecimento. Mas nada disso vem sem esforço. Em um ano que começa sob a ameaça de uma crise econômica que já apresenta demissões e cortes de recursos nas diversas áreas, como planejar o futuro profissional?
O diretor-geral da Trabalhando.com.br, comunidade virtual de empregos, Renato Grinberg, aposta nos setores ligados à gestão de custos e tecnologia de informação. ''Mas, independente da área de atuação, o profissional vai ter que começar a pensar em custo, mostrar que entende o momento pelo qual o país está passando.''
Entender de números é uma habilidade que vai ganhar evidência em qualquer profissão durante a crise. Grinberg recomenda os cursos de matemática financeira e de gestão de recursos, que podem ser encontrados em instituições voltadas para o ensino profissionalizante.
Outro perfil que será valorizado é do empregado pró-ativo, que pensa como empreendedor. ''É aquele profissional que negocia mais desconto com o fornecedor, que economiza onde pode'', diz o diretor. O setor da economia que Grinberg prevê ter maior estabilidade é o de serviços.
Já para a coordenadora do Núcleo de Empreendedorismo da Fae Business School, Nancy Malschitzky, o momento pode ser analisado sob dois pontos de vistas. ''Quem está empregado precisa pensar em complementar e flexibilizar sua formação com uma pós-graduação ou investir no aprendizado de um idioma. Quem perdeu o emprego e está fora do mercado pode se voltar para o que é considerado diferenciação. Ou talvez seja hora de buscar o seu próprio negócio'', explica.
Mas a professora frisa que todos esses caminhos implicam em estudos e investimentos. Após a pós-gradução, ela indica duas opções possíveis para o chamado ''upgrade'' na carreira. ''A pessoa pode ir por um caminho mais empresarial, fazendo um curso de MBA que traz um preparo para cargos de gestão. A outra opção é o mestrado, para quem decidir seguir uma linha acadêmica'', diz. Com o título de mestre, a segunda profissão em salas de aula serve como complementação da renda ou pela satisfação em passar o conhecimento adquirido aos mais jovens.
''De qualquer forma, a pós-graduação, ou qualquer curso de especialização, é um ambiente muito rico de 'network' (rede de relacionamentos) e até uma vitrine para se conseguir uma nova colocação'', aponta Nancy.
Foi a escolha da jornalista Aline Anginski, 26 anos, analista de comunicação da Nissei. Após fazer um ano do curso de Economia na Universidade Federal do Paraná (UFPR), ela decidiu trancar a matrícula para ingressar, no próximo ano, em uma especialização em Gestão da Comunicação Organizacional. ''Comecei recentemente no novo emprego, então senti a necessidade de me reciclar. Minha formação universitária não teve um aprofundamento em negócios, resolvi buscar esse conhecimento'', explica.
Ela diz ter vontade de, no futuro, retomar a segunda faculdade, mas, no momento, acha mais importante focar na área em que já atua. Além do inglês fluente, Aline termina, em 2009, o curso de alemão.


