Como lidar com situações de frustração e violência
Virgílio Tomasetti Jr, faz uma observação sobre frustração e violência no seu livro Educando Nossos Filhos. Diz que a frustração é uma vacina que deve ser dada para evitar a formação de psicopatas
O que fazer em cada fase do desenvolvimento?
A frustração é uma vacina que deve ser dada para evitar a formação de psicopatas, que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estão em número muito elevado - 2 bilhões em todo o mundo. Essa doença em que a pessoa não sente culpa nenhuma pelo que faz é ocasionada pela falta de frustração. Um pouco de frustração ao dia faz bem, ajuda a ter equilíbrio. Nenhum ser humano sobreviverá, em nenhum momento da história, se não tiver treinado para enfrentar frustrações. Os crimes passionais, que segundo a OMS chegam hoje perto de 30% , são praticados por aqueles que não têm como lidar com a frustração. É o indivíduo que recebe um fora da namorada, vai lá e mata. Há muitos crimes passionais fora da linha da miséria, da penúria. A escola poderia evitar muitos crimes passionais se oferecesse aulas sobre o que é o amor e a paixão, o que é ódio e amor, quando amor e ódio estão juntos ou não. Qual é o contrário de amor, é ódio? Não. É desamor. A escola deveria fazer esse papel. Porque depois da família a escola ainda é a instituição que pode tornar o mundo menos horrível do que já é.
Qual é a fase certa para a criança enfrentar frustrações?
Dos 2 aos 5 anos. Não adianta ensinar isso depois dos 16 anos. Se você tem um treino desde pequeno para a frustração, você será um cidadão melhor em todos os níveis. Isso eu posso garantir.
Que tipos de comportamentos têm a criança nessa fase que os pais geralmente não conseguem administrar?
Um exemplo simples que dou nas minhas palestras: a mãe pergunta para a filha de 2 anos: vamos para o banho? Ela fala não. Porque nessa idade, até os 5 anos, a criança fala não para tudo. A mãe tem que pegar a filha pelo braço e levar para o banho. Terminado o banho, a mãe diz: ''filha, vamos sair do banho''. A criança diz não. Novamente, sem bater, a mãe pega firme na mão da filha e tira do banho. A criança vê que alguém está mandando, ela sofre uma frustração, mas de alguém que ela sabe que a ama. Quando é assim, ela entende o sentimento apenas como frustração, não como ódio. Essas pequenas atitudes, feitas por quem ama a criança, são frustrações benéficas, que ajudam na saúde mental do cidadão. É isso que pai e mãe não estão fazendo hoje em dia. Depois vão querer terceirizar esse serviço para a escola. E a escola não tem autoridade para isso.
Muitos pais dizem que a criança, hoje, já nasce com vontade própria...
É mentira. Criança não nasce com vontade própria. O que está acontecendo hoje é que a criança nasce em um mundo digital. E o pai é analógico, não consegue seguir os passos da criança. Ela pensa de forma binária. O pai pensa de uma forma analógica muito primitiva. Então há um conflito de gerações como nunca houve antes. Essa geração digital se frustra com muito mais facilidade. E os pais, para compensar isso, acabam comprando os filhos, o que causa maior frustração ainda. As crianças querem amor. A família que aplica amor com correção e a escola que dá amor com correção preparam o cidadão para um mundo melhor. Porque esses meninos, coitadinhos, que estão cometendo crimes e delinquência, não tiveram o amor dos pais. Eles só foram rechaçados. O que podemos fazer por eles? Você chama a polícia, eles destroem o carro da polícia, e a polícia bate neles. Não tem outro jeito. O que nós podemos fazer é evitar que se criem novos delinquentes. (R.V.)





