Como justificar um mau negócio
Ganha repercussão, a cada dia, o caso revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo noticiando que a presidente Dilma Rousseff (PT) deu aval para que a Petrobras comprasse, em 2006, a Refinaria Pasadena, no Texas (EUA). Oposição se mobiliza para criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar a companhia.
A polêmica tem uma explicação: na época, Dilma era presidente do Conselho de Administração da Estatal e o negócio levantou suspeitas de superfaturamento e evasão de divisas porque a Petrobras pagou US$ 360 milhões por 50% da refinaria, valor muito superior à quantia paga um ano antes pela refinaria belga Astra Oil inteira: US$ 42,5 milhões. As duas empresas eram sócias na transação e se desentenderam por conta de investimentos.
A Pasadena tem capacidade para refinar cerca de 120 mil barris de petróleo por dia e a estatal brasileira justificou o interesse dizendo que precisava expandir a quantidade de petróleo para atender principalmente ao mercado externo.
O caixa da Petrobras, maior estatal do Brasil, não está uma maravilha. A dívida líquida da companhia alcançou a marca de R$ 221,56 bilhões em dezembro de 2013.
A transação levantou suspeita em 2012, quando a Petrobras pagou a fatura final da compra da parte da ex-sócia, no valor de
US$ 820,5 milhões. A cifra chamou a atenção de órgãos de fiscalização. O processo tramita na área técnica do TCU.
O governo tem a missão, agora, de evitar a formação de uma CPI e as convocações constrangedoras que ela deve gerar. Obviamente, o PT não quer esse desgaste no ano em que Dilma tentará a reeleição. Mas todos devem concordar que a explicação dada pela presidente da República é difícil de aceitar. Ela alegou que os termos do contrato que foram apresentados ao conselho estavam incompletos. Quanto a isso, vale lembrar que em caso de dúvidas, os conselheiros das companhias podem requisitar - ou deveriam - os processos completos para nortear suas decisões.
A justificativa está com cara da velha prática do "assinou sem ler". Afinal, o que são
US$ 360 milhões?





