Como ficará a segurança pública?
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 07 de novembro de 2002
Edwayne A.A. Arduin 
A partir de janeiro estaremos com novos governos federal e estadual. Não será simplesmente um novo governo, mas sim uma nova ideologia, ao que parece, muito mais humanitária, de se gerir a coisa pública, em todas as funções de governo. E como ficará a segurança pública, uma área que nos últimos anos tem se mostrado tão prioritária quanto sensível, ocupando os primeiros lugares na aspiração da população, independentemente de sua classe social?
Certa vez ouvi, em uma palestra do então governador Roberto Requião, parafraseando alguém de quem não me recordo, que: ''Enquanto na periferia o pobre não come, no centro das grandes cidades os ricos não dormem''.
O que se observa hoje, vários anos depois, é que os ricos investem fortunas em blindagens, seguranças particulares, muros, alarmes e tantas outras parafernálias, buscando paz e ficam cada vez mais presos em seus nichos do que os próprios condenados nos cárceres, talvez pagando pena pela não divisão de seus bens com os menos afortunados, e ainda assim não conseguem, concretamente, a segurança subjetiva que tanto almejam, ou seja, o sentir-se seguro.
Enquanto isto nas periferias os pobres estão sendo roubados pelos miseráveis e sem a menor possibilidade de se defenderem. A insalubridade, o desemprego, a falta de escolas e atividades bem como de perspectivas para os jovens, somado ao incentivo dado pelos meios de comunicação, em especial pela televisão, ao consumo e à valorização do ''ter'' criam um quadro ideal para a proliferação das drogas e dos crimes mais violentos cada vez mais banalizados.
E os novos governos o que têm com isso? Afinal estão herdando estes problemas, e quais as soluções que devem buscar para amenizar este problema que toma contorno de caos, em especial nas grandes metrópoles, mas que não poupam nem mesmo os pequenos municípios, onde falar em drogas e em crimes violentos já não é uma utopia que se vê só pela televisão nos programas mais sensacionalistas?
A primeiras idéias apresentadas por sua excelência o presidente eleito, de combater a fome, de reduzir o desemprego e de melhorar as condições de vida da população mais carente, são excelentes e terão efeitos mediatos nesta problemática. Porém, ao que parece, a população anda meio impaciente, querendo soluções que amenizem rapidamente o problema. Dentre as idéias apresentadas pelo excelentíssimo governador eleito de nosso Estado, de combater a corrupção nas instituições policiais, valorizando os bons profissionais, a comunitarização das ações de polícia ostensiva e investimentos em meios tecnológicos e em mais viaturas e equipamentos certamente atingem o âmago da questão e terão resultados práticos e rápidos neste problema.
É sabido que a criminalidade não é problema só de polícia e que tem várias causas. Apontar a criminalidade como resultado da pobreza também é uma visão por demais simplista do problema que é preciso ser encarado num plano sistêmico. Mas que a boa gestão das parcas verbas a serem empregadas nos órgãos de segurança pública, que uma polícia confiável por parte da população que passa assim a colaborar com seu serviço e eficiente na busca incansável de resultados, com profissionais bem selecionados, bem treinados e atualizados constantemente, honestos e bem remunerados e com transparência e severidade na punição dos excessos que invariavelmente acontecem neste tipo de atividade, sem corporativismos, certamente é a fórmula para reagir à violência e conseguir os resultados imediatos que a população aspira.
EDWAYNE APARECIDO AREANO ARDUIN é capitão da Polícia Militar, bacharel em direito e autor do livro ''Manual de direito aplicado à atividade de Polícia Militar''


