Nova York já foi uma das mais perigosas cidades dos Estados Unidos, mas hoje é tida como das mais seguras. A queda da criminalidade exalta o triunfo das autoridades sobre os bandidos. No fim dos anos 80 e início de 1990 a violência chegou a ponto insustentável, principalmente pela epidemia do crack, um derivado da cocaína, mais barato e mais tóxico e que gera mais rápida dependência. Naturalmente que os crimes ainda acontecem por lá, mas só houve 600 no ano passado, contra 2.200 em 1990. Comparando-se, por exemplo, as dimensões de Londrina, com 500 mil habitantes e que já teve cerca de 300 assassinatos num ano (portanto metade de NY, com 8 milhões de habitantes e uma aglomeração de 18 milhões), pode-se avaliar a barbaridade que ocorre por aqui.
Discute-se a quem outorgar o troféu por essa vitória nova-iorquina, mas um grande herói foi o prefeito Rudolph Giuliani, que assumiu a cidade em 1994 e implantou sua ofensiva de tolerância zero com os bandidos, grandes e pequenos. Simultaneamente ele investiu pesado contra o tráfico de drogas. Durante seu duplo mandato - que terminou em 2001 - a taxa de violência caiu acentuadamente. Verdade que ele não foi o único, porque seu antecessor David Dinkins já havia iniciado uma batalha do gênero, e em todo o país já estava implantada uma política de endurecimento com os foras-da-lei. Mas esse descendente de italianos (que teve em Al Capone o seu anverso de outrora) foi implacável. O presidente Bill Clinton cooperava, disseminando soldados pelo país inteiro. A presença mais intensiva da polícia e a decisão dos governantes, em cada região, funcionaram.
De acordo com o professor Kendall Thomas, da Universidade de Colúmbia, um ''policiamento de proximidade'' e as ações dirigidas nos bairros contribuíram para baixar a violência. Nesse caso, méritos são atribuídos ao chefe de Polícia, William Braton, e também aos governos, que abriram os cofres e deram suporte financeiro para a grande operação, que ocorreu simultaneamente no país inteiro. Importa pouco quem é o ganhador do troféu, mas é certo que a ação conjunta proporcionou excelente resultado. Também lá não se descuidou da questão social, porque analistas declaram que a instalação de muita gente em casa própria, e uma economia que melhorou de saúde, foram fatores importantes nessa causa. Agora o prefeito da grande metrópole é Michael Blomberg e ele continua a linha dura dos que o antecederam. Uma de suas medidas é punir severamente a obtenção e porte ilegal de armas de fogo.
A estatística mostra que, fora dos Estados Unidos, especialmente nas grandes cidades, 2006 foi o décimo ano consecutivo de aumento dos índices de violência. Só o número de assassinatos aumentou 6,7% em cidades com mais de 1 milhão de habitantes. Dizia-se no passado, especialmente no período do regime ditatorial de direita em terras brasileiras, que o que era bom para os Estados Unidos era bom para o Brasil. Hoje, no caso da ação integrada dos governantes e da intensificação da repressão policial - nos padrões da tolerância zero e sem desprezo das paralelas soluções sociais - o modelo norte-americano se aplicaria bem no Brasil. Mas é preciso que o presidente da República, os Parlamentos, o Poder Judiciário, os governadores e prefeitos se mobilizem. E não com medidas paliativas mas mediante uma verdadeira guerra nos moldes da norte-americana, doa a quem doer.

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