Como calcular o preço do seu trabalho? Cursos e especializações contam na hora de fazer a cobrança? E os anos de experiência? Muitos profissionais ficam em dúvida se estão cobrando a mais ou a menos quando precisam fazer um orçamento, principalmente os profissionais liberais, que não contam com tabela básica do orgão de classe para se basear.
  Francisco Peres Valentim é encanador e, embora aposentado, continua fazendo pequenos serviços. Segundo ele, o preço na sua categoria se baseia pelo mercado - avalia-se quanto o concorrente cobra e faz-se o preço.
  Outro ponto a se levar em consideração é o trabalho que precisa ser feito, quanto tempo vai ser gasto, e se é um trabalho mais árduo, como quebrar uma parede para consertar um cano quebrado, por exemplo.
  Em geral, os encanadores cobram R$ 50,00 por ponto, representado por cada saída de água, como uma torneira. Obras maiores, como caixa d’água ou patente, valem dois pontos.
  Elza Nakamura é dentista há 25 anos. Para calcular o valor de seu trabalho, ela leva em consideração todos os gastos que tem com o consultório, impostos, funcionários, anuidade de associações, atualização, além dos materiais utilizados, que segundo ela, na odontologia, tem muita variação no preço conforme a qualidade.
  ‘‘Temos algumas referências de tabelas. Porém é muito relativo, pois não determina a qualidade do material a ser usado. Às vezes o baixo custo de um determinado tratamento pode ser de menor durabilidade, tendo de ser trocado com maior freqüência’’, explica.
  O investimento no estudo justifica o valor do profissional também. ‘‘Quem não investe pode cobrar menos.’’ Elza diz que, em geral, os profissionais conversam entre si para verificar como o mercado está se comportando, mas cada um vai agregando valor conforme suas qualificações. Em outras profissões, ela acredita ser mais fácil seguir uma tabela, no caso de profissionais que não utilizam outros materiais em consultório, como advogados, psicólogos.
Preço justo
  Nildo Silva Leão é engenheiro, trabalha desde 1985 na área de custos de serviços e produtos, e está lançando um livro que ensina a fazer esses cálculos: ‘‘Aprenda a Estabelecer o ‘Preço Justo’ pelo seu Serviço e Alcance o Sucesso.’’
  Segundo ele, o preço de um trabalho deve ser cobrado em cima de três fatores: custo, lucro e impostos. Calcula-se o custo, levando-se em consideração tudo o que foi gasto, soma-se o lucro desejado, e em cima disso calcula-se os impostos devidos. Esse será o valor.
  Nildo diz que ‘‘não existe regra para o lucro, de um valor fixo de 10%, 20% ou 30%. Tem que ver como o mercado está cobrando, pois o lucro é ditado pelo mercado, não o preço.’’ Os profissionais liberais informais que não pagam impostos podem cobrar menos. Por outro lado, os profissionais que estão em constante atualização ou estão há mais tempo no mercado podem cobrar mais.
  Na hora de calcular os custos, deve-se levar em consideração todo o gasto que se teve, seja com materiais utilizados, como papel, seja com telefone, combustível entre outros. Uma das formas de se calcular a hora de trabalho é levando-se em consideração o valor do salário que seria pago a um profissional contratado.
  O mais importante, segundo Nildo, é cobrir os custos independente do que o mercado está cobrando. Não se pode ficar preocupado em fazer um bom preço tendo prejuízo. Um dos motivos de falência das empresas é justamente esse: absorver prejuízos por conta do mercado.
  O mesmo pode acontecer com os profissionais liberais: precisarem fechar um consultório, por exemplo, por conta de praticarem um preço menor.

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