Como atrair brasileiros para o Mais Médicos?
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quinta-feira, 06 de dezembro de 2018
A chegada dos cubanos ao Brasil para participar do programa Mais Médicos, cinco anos atrás, gerou questionamentos sobre a presença deles no SUS (Sistema Único de Saúde) e na forma de pagamento. Nesse período, a polêmica em torno do projeto até diminuiu com o reconhecimento da população para com o trabalho dos estrangeiros, mas não deixou de provocar críticas. O Mais Médicos nasceu como uma forma de atender as regiões pobres e amenizar a falta de profissionais principalmente nos locais mais remotos do País.
O programa voltou ao centro de uma nova polêmica em novembro, depois que o governo cubano decidiu se retirar da parceria, insatisfeito com as críticas do presidente eleito Jair Bolsonaro à falta de revalidação do diploma dos médicos e à formação daqueles profissionais. Com a saída dos cubanos do Brasil, o Ministério da Saúde não teve outra alternativa a não ser abrir edital emergencial para o preenchimento de mais de 8.500 vagas abertas.
Para a maioria dos municípios afetados pela retirada de Cuba do programa, essas semanas têm sido de reorganização do esquema de trabalho e busca pelos novos profissionais. Até a última segunda-feira, segundo o Ministério da Saúde, 34.300 inscrições haviam sido feitas por médicos brasileiros para substituírem os colegas caribenhos. Entre essas, cerca de oito mil tiveram vagas selecionadas, chegando a 98% das ofertadas no edital. Mas até o início desta semana, 30% dos inscritos haviam se apresentado para iniciar as atividades.
Além da demora dos novos médicos para se apresentarem aos municípios, há um outro problema apontado por entidades que representam as prefeituras brasileiras: boa parte dos inscritos já atuavam em unidades de saúde por meio do programa Saúde da Família. Há o risco de acontecer um processo de migração e faltar profissionais na outra ponta. Londrina está em uma situação mais tranquila, pois 10 médicos já ocuparam as vagas deixadas pelos colegas de Cuba.
O desafio maior do governo será encontrar brasileiros para preencher as vagas em cidades pequenas e muito afastadas dos grandes centros, assim como em áreas indígenas. Há profissionais competentes disponíveis, mas para atrai-los para regiões carentes, é preciso mais que um bom salário. É necessário que o governo federal crie um plano de carreira e uma estrutura mínima de trabalho. É assim que o País poderá contar com mais médicos brasileiros atuando na saúde pública.



