Como anda a sua vida financeira?
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
Lair Ribeiro 
Como anda a sua vida financeira?
Lair Ribeiro
Vivemos em uma sociedade que valoriza muito o dinheiro, mas não somos educados, desde a infância, para lidar com ele. Crescemos cheios de crenças negativas a respeito de dinheiro. Mas, quando nos tornamos adultos, esperam que tenhamos maturidade financeira e nos tornemos pessoas bem-sucedidas e financeiramente independentes. Em geral, quando criança, ninguém aprendeu que ser bem-sucedido ou malsucedido na vida depende da sua relação com o dinheiro. Há muitas crenças e mitos sobre dinheiro, quase sempre associando-o à corrupção, egoísmo, sujeira, pecado. Muita gente acredita que é preciso travar um embate sangrento e violento para ter dinheiro, associando sua conquista a muita luta e sofrimento. O problema é que essas crenças e pensamentos negativos a respeito de dinheiro podem minar as suas expectativas de se tornar uma pessoa financeiramente independente.
Como todo mundo, você deve ter ouvido ainda na infância coisas negativas sobre dinheiro ditas por pessoas que você respeitava como autoridade e em uma idade em que, como esponja, você absorvia tudo o que lhe fosse dito. Tais valores ficaram em você e se levantam como barreiras poderosas cada vez que você se depara com situações que envolvam dinheiro. Mas há outros problemas sérios relacionados a dinheiro, como as síndromes da falta do afeto e a da dependência. No primeiro caso, a pessoa associa dinheiro a falta de afeto; no segundo, a dependência afetiva faz com que ela não consiga ganhar o suficiente para ser financeiramente independente.
Heranças, por incrível que pareça, também constituem um problema. Por estarem associadas à morte, exigem que o herdeiro se liberte desse estigma e aceite o dinheiro herdado sem culpa ou remorso. Enquanto isso não acontece, o herdeiro fará o possível para livrar-se do dinheiro rapidamente, seja de modo perdulário ou em negócios malsucedidos. Há também a síndrome de desaprovação dos pais, que incita sentimentos de culpa, medo ou revolta, dificultando que a pessoa conquiste sua prosperidade. O problema surge quando a pessoa desenvolve um medo inconsciente de se tornar mais bem-sucedida que seus pais ou quando estes a pressionam para que obtenha sucesso. Em ambos os casos, o sucesso passa bem longe da pessoa!
O primeiro passo para a independência financeira é harmonizar-se com o dinheiro, desenvolvendo com ele uma relação de amizade, sempre com pensamentos positivos a respeito de dinheiro, riqueza, prosperidade, abundância e ambição. Tenha sempre em mente que o universo é potencialmente abundante e que não é preciso que alguém perca para que você seja vitorioso. Ao contrário, ambos podem sair triunfantes! Ao jogar o jogo do ganha-ganha, você e o outro sempre saem ganhando, contribuindo para expandir ainda mais a riqueza universal. Saiba que ter ambição, desejar ganhar dinheiro e enriquecer, sempre jogando o jogo do ganha-ganha, não é pecado. Lembre-se de que temos plenos poderes sobre os nossos pensamentos e que estes são os responsáveis pela nossa realidade. Portanto, empenhe-se em formular pensamentos extremamente positivos e você terá um incentivo a mais na busca por felicidade e realização pessoal.
LAIR RIBEIRO é médico cardiologista e palestrante internacional (www.lairribeiro.com.br)
Justificar o injustificável
Sérgio Dalbem
A violência policial apresentada no filme ''Tropa de Elite'' é um absurdo. Nada justifica qualquer forma de violência, principalmente partindo de quem tem a obrigação funcional de fazer com que a lei seja cumprida e respeitada. Nenhuma instituição policial no Brasil tem em seus cronogramas de formação disciplinas que ensinem ou estimulem a tortura ou qualquer outro tipo de violência para que sejam usadas durante o exercício profissional, mas então por que isto ocorre?
É preciso levar em consideração que, como em qualquer órgão público, a polícia recebe seus candidatos com no mínimo 18 anos de idade. O que esta pessoa aprendeu na família, na escola, com os amigos, nas horas de TV e rádio, serviu para formar seu caráter e sua personalidade. Agora, adulto passará a ter aproximadamente duas mil horas de aulas teóricas, práticas e estágios probatórios para aprender a exercer suas atividades profissionais respeitando e fazendo cumprir a lei.
A atividade policial por si só é autônoma. As instituições policiais nada mais fazem do que organizar a forma e as técnicas de atuação. O policial no exercício de sua função só faz ou deixa de fazer o que a lei determina ou proíbe que se faça. Aí, entra o seu caráter e a sua personalidade para tomar as decisões de acordo com a lei e as técnicas e táticas policiais.
Como deve ser o comportamento de policial no Rio de Janeiro, onde crianças são arrastadas pelas ruas como nos velhos filmes de faroeste, jornalistas são torturados e queimados, cidadãos comuns são emboscados e queimados vivos dentro de um ônibus, policiais são emboscados e mortos a sangue frio? Será que ter policiais nas ruas não seria uma forma de evitar todos os tipos de violência?
O Rio de Janeiro se transformou em campo de guerra, onde o instinto de sobrevivência fala mais alto e a razão fica em segundo plano. Infelizmente, só é entendido por quem vive diariamente o risco real de perder a vida a qualquer momento. A resposta na verdade está na ação honesta do governador do Estado. Ele tem o poder de assumir a segurança pública como prioridade número um e tomar as medidas técnicas para garantir a segurança de toda a sociedade, proporcionando que todas as ações sociais (educação, cultura, saúde, creche, e outros) existentes no morro cheguem aos seus moradores. Como não há um plano sério de combate à criminalidade, quem tem a obrigação de fazer cumprir a lei a cada momento precisa repetir as mesmas ações e enfrentar os mesmos riscos. O medo e o estresse da atividade resultam em comportamentos violentos, pois os policiais passam a ser guiados pelo instinto de sobrevivência que temos nessas ocasiões.
SÉRGIO DALBEM é major da reserva da Polícia Militar do Paraná em Londrina


