Como a vitamina D pôde e pode reduzir a mortandade
No Brasil, a taxa de letalidade foi 15,4 vezes maior que a registrada na China
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
No Brasil, a taxa de letalidade foi 15,4 vezes maior que a registrada na China
José Luís da Silveira Baldy 
Em 23/11/2025, a Organização Mundial da Saúde publicou dados atualizados (vide https://data. who.int/dashboards/covid19/cases?n=c) sobre o número de casos e o número de óbitos da Covid-19, cuja pandemia ainda não reconheceu como finda. No mundo, o número de casos de Covid-19 foi de 778.956.825 e o número de óbitos 7.103.462, sendo 0,91% a taxa de letalidade. Os maiores números de casos e de óbitos, em países com grande população, ocorreram nos Estados Unidos, no Brasil e no México. Nos EUA, foram 103.400.000 casos e 1.200.000 óbitos, com taxa de letalidade de 1,16%; no Brasil, 37.900.000 casos e 704.000 óbitos, com taxa de letalidade de 1,85%; no México, 7.483.444 casos e 333.188 óbitos, com taxa de letalidade de 4,40%.
Nesses três países não foram adotadas medidas oficiais com a finalidade de aumentar a concentração no sangue de vitamina D3, que pudessem promover sua elevação para nível capaz de induzir proteção imunológica contra a Covid-19. As organizações governamentais responsáveis pelos programas de controle da saúde pública e as sociedades científicas do Brasil, dos Estados Unidos e do México não consideraram válida a implantação de medidas voltadas para incentivo da prática rotineira de adequada exposição à luz solar, nem para suplementação, por via oral, com o colecalciferol (precursor da vitamina D3), sob orientação médica, e também não recomendaram a adição de vitamina D3 em alimentos selecionados consumidos no dia a dia da população.
Comparamos a taxa de letalidade (número de óbitos multiplicado por 100 e dividido pelo número de casos), em países cuja população é considerada grande ou muito grande que adotaram (ou não) medidas com o objetivo de levar a concentração de vitamina D no sangue a nível suficiente, capaz de potencializar as funções da imunidade e promover, com isso, acentuada diminuição de casos graves de Covid-19 e, como consequência, evitar a morte da grande maioria das pessoas infectadas. Essa comparação permite separar os países em dois grupos: 1) aqueles em que foram adotadas medidas cuja finalidade era a de promover o alcance de concentração no sangue de vitamina D3 em nível protetor, e 2) aqueles em que essas medidas não foram implantadas.
Foram as seguintes as taxas de letalidade (menores que 0,5%) observadas em países que adotaram tais medidas: China - 0,12%; Nova Zelândia - 0,16%; Austrália - 0,21%; Japão - 0,21%; Holanda - 0,26%; Israel - 0,26%; Dinamarca - 0,28%; Suíça - 0,31%; Vietnã – 0,37%; Noruega - 0,38%; França - 0,42%. Taxa de letalidade muto baixa (0,13%) foi registrada num pequeno país com população de aproximadamente 3 milhões de habitantes, o Catar, onde a Saúde Pública implantou medidas oficiais rigorosas para controle da Covid-19, com respeito à suficiência de vitamina D .
Em países com população grande que não adotaram tais medidas, foram observadas as seguintes taxas de letalidade: México – 4,40%; Brasil - 1,85%; EUA - 1,16%; Reino Unido - 0,92%. No Brasil, a taxa de letalidade foi 15,4 vezes maior que a registrada na China. Se a taxa de letalidade por Covid-19 no Brasil fosse semelhante à observada nesse país, em vez de mais de 700 mil teria havido cerca de 80.000 óbitos.
No livro que acabo de publicar, intitulado “Imunidade inata: A grande negligenciada durante a pandemia de Covid-19 – Injustificável menosprezo à homeostase da vitamina D3”, analiso as consequências decorrentes da deficiência de vitamina D3 que acomete mais de 50% da população mundial e 80% dos idosos. Trata-se de uma verdadeira pandemia de hipovitaminose D, resultante de dois fatos: primeiro, a maioria das pessoas deixou de expor-se à luz do sol, fonte natural de vitamina D, em período do dia e durante tempo apropriado, e, segundo, essa população, em sua grande maioria, não recebe adequada suplementação oral de vitamina D3 sob orientação médica.
Assim, com a carência de vitamina D3 que atinge grande parte da população, a imunidade inata deixa de atuar com toda a sua potência e propicia a ocorrência de vários tipos de infecção, sobretudo as infecções respiratórias, cujo aumento de frequência tem sido exponencial, favorecendo a ocorrência de surtos de moléstias e sobrecarregando os serviços de atendimento médico (prontos-socorros, unidades básicas de saúde, UPAs e hospitais). Por isso, é fundamental que os gestores de saúde pública passem a preocupar-se urgentemente com a correção da deficiência de vitamina D3 na população (pelo menos nos grupos de pessoas mais vulneráveis), através de medidas efetivas, sob pena de prolongar indefinidamente essa situação estressante para o sistema de saúde e ameaçadora, para a conservação da saúde e, mesmo, da vida.
José Luís da Silveira Baldy, médico em Londrina


