Na semana em que o STF (Supremo Tribunal Federal) garantiu à defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva o acesso às mensagens do Telegram entre o ex-juiz Sergio Moro e procuradores da força-tarefa da Lava Jato, apreendidas pela Operação Spoofing, a FOLHA começa a mergulhar nas histórias que primeiro edificaram a operação iniciada em março de 2014 e que agora colocam em xeque a imparcialidade do ex-juiz.

Moro teria orientado o procurador Deltan Dallagnol em diversas conversas supostamente para prejudicar Lula e o PT na eleição de 2018.

A partir dessa vitória recente no STF, a defesa de Lula espera avançar em sua meta de tentar anular os processos do ex-presidente na Operação Lava Jato.

E nesta sexta-feira (12), o ministro do STF Gilmar Mendes colocou mais lenha na fogueira ao comparar a força-tarefa de Curitiba da Lava Jato a um “esquadrão da morte”.

É fato que a Lava Jato começou a perder força quando Moro decidiu aceitar o posto de Ministro da Justiça de Jair Bolsonaro. De lá pra cá a “república de Curitiba” sofreu uma série de reveses e uma prova disso foi a queda vertiginosa no número de operações. De 16 em 2016, caiu para oito em 2020.

É difícil prever como as novas gerações interpretarão a Lava Jato. Das prisões midiáticas e coletivas de imprensa que recebiam até repórteres estrangeiros, a força-tarefa chegou ao final sendo criticada duramente até mesmo pelo jornal New York Times: “o maior escândalo judicial da história brasileira”.

A FOLHA deve relembrar os fatos e personagens que marcaram a Lava Jato, até mesmo por uma questão histórica: Londrina é o berço da operação, que nasceu a partir de um inquérito do ex-delegado da Polícia Federal Gerson Machado, em 2008, contra o doleiro Alberto Youssef.

Importante discutir agora o legado da Lava Jato. Desde que trocou a toga pelo ministério da Justiça, Moro viu o prestígio da força-tarefa esvair-se e, coincidência ou não, no dia em que o chefe da PGR (Procuradoria Geral da Justiça), Augusto Aras, anunciou o fim da operação, era eleito na presidência da Câmara Arthur Lira, um dos investigados pelos procuradores por suspeita de corrupção.

Talvez um dos grandes legados da Lava Jato seja ajudar a despertar no brasileiro o sentimento de que ricos e poderosos podem, sim, serem presos. E que o Brasil não precisa ser o país onde “tudo acaba em pizza”.

Independente das novas configurações que a PGR pretende dar às investigações e das consequências da Operação Spoofing para o futuro de Moro, de Lula e de outros nomes impactados pela Lava Jato, o combate à corrupção deve continuar no Brasil. E isso não cabe apenas a juízes, promotores, policiais, advogados. Depende do cidadão.

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