Como a economia influencia as telecomunicações
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de dezembro de 2016
Guilherme Casado 
O balanço das telecomunicações em 2016 não foi diferente dos demais segmentos, ou seja, diante do 7º trimestre consecutivo de retração na economia, o setor também sofre os reflexos da equação instalada no País: elevado custo financeiro + desemprego + inflação = redução da renda das famílias e redução da confiança do consumidor.
Considerando que a renda familiar doméstica constituiu-se num dos principais motores da expansão econômica no decorrer desta década, por conseguinte, a retomada do crescimento dependerá fundamentalmente da estabilidade política, com diretrizes macroeconômicas e microeconômicas que estimulem investimentos.
Feita esta contextualização é preciso ressaltar a resiliência do setor, que se reinventa diariamente por força das transformações tecnológicas, e a perspectiva de melhora para 2017.
O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações, articulado com os ministérios da Fazenda e Planejamento, e com o Congresso Nacional, produziu uma medida de estímulo a investimentos no setor de telecomunicações, consubstanciado no projeto da Nova Lei Geral de Telecomunicações. Em síntese, o projeto de lei permite que as concessionárias do serviço de telefonia fixa comutada migrem suas concessões para o regime de autorização dos mesmos serviços.
Deste modo, extinguem-se as inúmeras obrigações deficitárias da concessão e o regime de reversibilidade dos bens, permitindo que os ativos antes reversíveis sejam alienados ou colocados como garantia real de operações estruturadas de crédito. Tal medida, inegavelmente, aumentará a disponibilidade de crédito às concessionárias, como é o caso da Sercomtel.
Para estar presente neste mercado altamente competitivo das grandes operadoras, a Sercomtel vem adotando, desde 2012, medidas reestruturantes, como alienação de ativos, construção de planos de serviços que estimulam o pagamento antecipado, redução de custos, despesas e unidades gerenciais, renovação de contratos com reajustes inferiores ao da inflação, e mais recentemente a busca de captação de recursos junto ao mercado financeiro, atividade na qual a operadora buscará se aprimorar a partir de 2017.
A principal característica do setor é a contínua evolução. Compreender este fenômeno ajuda a entender que "mudar e fazer diferente" são parte do negócio. A novidade está no fato de que os ciclos de inovação serão cada vez mais curtos. As empresas que resistirem injustificadamente às mudanças terão maior dificuldade de adaptação ao mercado. Portanto, em nível estadual, estimulamos a inovação, a pesquisa acadêmica e o empreendedorismo em tecnologia da informação e comunicação a fim de promover projetos relevantes para a sociedade e que possam transformá-la de modo positivo.
As atuais tendências do setor de Telecom estão dirigidas para o conceito do binômio "conectividade e disponibilidade". A partir desta definição temos conceitos igualmente relevantes, são eles: entretenimento, conteúdo, fintechs, internet of things (IOT), machine to machine (M2M), big data. E por isso as perspectivas de mercado são enormes. Atentos a estas oportunidades, temos atuado em diversas frentes para fazer jus ao slogan ("Soluções completas"). Neste ano, tivemos a honra de fazer o backup das imagens de monitoramento das Olimpíadas e Paralimpíadas Rio 2016, oferecer a tecnologia de vídeo streaming para a Polícia Militar de São Paulo e do Espírito Santo e apresentar à cidade projetos associados ao conceito de Cidades Inteligentes.
É preciso consignar ainda que o setor de telecomunicações é transversal a todos os negócios e que aqui está a opção de crescimento e fortalecimento. A chave do crescimento é esta: a conectividade é fundamental a todas as aplicações do futuro e monetizar estas oportunidades é o desafio de todos nós, e só as aproveitaremos inovando a maneira como fazemos as coisas.
GUILHERME CASADO é diretor presidente e de relações com investidores da Sercomtel SA Telecomunicações em Londrina
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