A idéia de rebaixamento na classificação dos rios não agrada os integrantes dos comitês que já funcionam no Estado. O presidente do Comitê da Bacia do Rio Tibagi, prefeito de Ibiporã, Reinaldo Gomes Ribeirete, acredita que a proposta jamais passaria pelos comitês. ''A situação que vivemos é a inversa, de brigar para ter mais recursos para melhorar as condições do rio.'' O professor de hidrogeologia da Universidade Federal do Paraná, Ernani da Rosa Filho, que é integrante do Comitê do Alto Iguacu e Alto Ribeira, diz que o princípio básico dos comitês é recuperar os rios, ou seja, não permitir que o rio de classificação 2 chegue ao nível 4, por exemplo.
Rosa Filho explica que a classificação de um rio não depende do comitê, mas sim das características da água. ''É como se quiséssemos fazer uma lei contra a lei da gravidade'', compara. Logicamente, os comitês poderão propor a revisão da classificação, analisando novamente a água do rio. ''Mas um rio não pode ser reenquadrado por portaria'', diz. Na região de Curitiba, os rios que compõem a Bacia do Alto Iguaçu e do Alto Ribeira recebem efluentes domésticos e industriais, tratados ou não, além de muito lixo. A classificação varia entre 3 e 4, em áreas mais e menos degradadas. ''A intenção do comitê é recuperar, mas é um processo que só começou há cerca de quatro meses'', conta.
O comitê do Tibagi foi criado em junho deste ano e já foram feitas 11 reuniões de organização. O prefeito de Ibiporã, Reinaldo Gomes Ribeirete, que preside o comitê, foi um dos organizadores do Consórcio de Proteção da Bacia do Tibagi (Copati), há 13 anos. Primeiro o Copati era formado por prefeitos da região, depois passou a ter a participação de grandes empresas localizadas na bacia e Organizações Não Governamentais. O Copati pretende ser a agência da bacia, a partir desse novo modelo de gestão. No comitê, a Sanepar tem dois dos 40 votos.

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