O comitê de campanha do ex-prefeito de Londrina Antonio Belinati (sem partido) pode ter sido alvo de escutas telefônicas em 1996. De acordo com o advogado criminalista Peter Amaro de Sousa, as gravações teriam sido feitas nos mesmos moldes das campanhas de reeleição do governador Jaime Lerner (PFL) e do prefeito de Curitiba Cassio Taniguchi (PFL). Na época, Belinati era o candidato do governo do Estado. O coordenador da campanha em Londrina foi o secretário especial da Chefia de Gabinete do Governador, Gerson Guelmann.
Os grampos teriam sido feitos pelo técnico em telefonia, Gilberto Maria Gonçalves, ex-funcionário da Chefia de Gabinete do Palácio Iguaçu. Ele teria sido preso – segundo versão do cabo Luiz Antonio Jordão – por diversas vezes com escadas e uma kombi. A Casa Militar era chamada para intervir nas prisões que aconteceriam dentro e fora das campanhas eleitorais. ‘‘O Gilberto é que fazia o trabalho do grampo. Ele sabia e monitorava também o que acontecia com a vice-governadora Emília Belinati (PTB). E temos informação que tudo isto vinha do secretário Gerson Guelmann. Ele queria saber de tudo’’, denunciou.
Antonio Belinati afirmou ontem desconhecer que seu comitê de campanha tenha sido grampeado, conforme denunciou o advogado Peter Amaro de Souza. ‘‘Para mim isso é novidade. Isso está indicando que eram alguns amigos ‘ursos’ que estavam próximos da campanha’’, disse o ex-prefeito. Na época, ele estava filiado ao PDT.
Belinati afirmou que mesmo que as escutas telefônicas tenham sido feitas, ‘‘foi uma perda de tempo’’. ‘‘Eu aconselho o seguinte: na próxima campanha, se eu chegar a ser candidato, que grampeiem a sola do meu sapato, porque com telefone não se ganha campanha’’, ironizou. No ano passado, Belinati teve os direitos políticos cassados por oito anos, pelo juiz da 5ª Vara Cível, Alberto Júnior Veloso, por improbidade administrativa.
O ex-prefeito também disse que não está preocupado com a possibilidade do gabinete da sua mulher, a vice-governadora Emília Belinati, ter sido grampeado. ‘‘Cometeram até um crime desnecessário. A Emília é mulher de Deus e ainda que tenha acontecido algum grampo não vão encontrar nada’’, garantiu.

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