Comércio mundial e protecionismo
O agravamento da crise econômica mundial começa a armar os países em desenvolvimento. Preocupados com a invasão de produtos chineses, a indústria nacional inicia mobilização para combater esse processo. A avaliação é que o aprofundamento da crise nos Estados Unidos e na União Europeia, tradicional mercado comprador daquele país, faça com que a China direcione sua produção para o Brasil. A China cresceu 9,1% no terceiro trimestre deste ano, nível mais baixo em dois anos, e a estimativa é que se desacelere para 8% neste quarto trimestre e no primeiro trimestre do próximo ano.
Os empresários defendem a adoção de medidas antidumping (tarifa sobre produtos vendidos no Brasil abaixo do preço do mercado de origem), além de sobretaxas para produtos de indústrias subsidiadas pelo governo chinês. Entre as acusações feitas ao governo federal é de que a China costuma praticar preços de exportação abaixo do praticado no seu mercado doméstico e de oferecer subsídios, tanto por meio de empréstimos a juros reduzidos para indústrias escolhidas pelo governo ou pela concessão de benefícios.
Conceder subsídios para ganhar mercado não é uma prática apenas dos chineses. Para ficar em alguns exemplos, recentemente o Brasil recorreu - e ganhou - na Organização Mundial do Comércio (OMC) uma ação contra os Estados Unidos no caso do algodão. Atualmente, está sendo discutido pelo Congresso americano um outro pacote de subsídios agrícolas para a produção de algodão, milho, soja e trigo. No âmbito doméstico, em setembro o Brasil aumentou o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos importados, que já está sendo questionado pela Coreia do Sul e pelo Japão na OMC. Além disso, o governo teve uma derrota no Supremo Tribunal Federal.
Se os fabricantes nacionais estão enfrentando problemas no mercado tanto doméstico como externo, é preciso que o governo assegure alguma proteção. No entanto, também seria muito salutar se fossem adotadas medidas mais concretas para tornar a indústria nacional mais competitiva, como as esperadas reformas tributária e trabalhista.





