Comércio do sexo
PUBLICAÇÃO
sábado, 05 de julho de 2003
Luciana Pombo 
Curitiba - Cerca de 20 mil mulheres trabalham como prostitutas em Curitiba e região metropolitana. Mais de 90% delas vivem apenas da prostituição. Elas trabalham nas ruas de Curitiba e em casas de prostituição que funcionam clandestinamente. Somente na Capital, são 522 casas de médio e grande porte que já foram mapeadas e 365 bares. Se forem incluídos os municípios da região metropolitana são contabilizadas mais de 2 mil casas de prostituição.
O Grupo Liberdade, que trabalha exclusivamente com profissionais do sexo, atende mensalmente 150 prostitutas, 30 travestis e 20 michês. A intenção é levar orientações sobre prevenção de doenças sexualmente transmissíveis, noções de direitos humanos, assistência a portadores de Aids, orientação para volta ao estudo e profissionalização. ''A intenção é evitar que a profissional do sexo viva apenas da prostituição. Esta deve ser uma renda alternativa. Não a única'', afirmou Carmem Costa, presidente da entidade.
Os valores dos programas variam de acordo com a casa e com a aparência da profissional. São cobrados entre R$ 5 e R$ 500 por programa. As mulheres têm idades variadas, entre 18 e 68 anos. ''Os rapazes com idades entre 18 e 20 anos procuram sempre as mulheres mais velhas. Os homens mais velhos preferem as meninas'', contou ela. Carmem disse que em Curitiba, as prostitutas aprenderam a excluir do grupo as adolescentes. Elas não são aceitas nas casas noturnas.
''Conseguimos criar uma rede para excluir as menores dos locais de prostituição. Pode acontecer, mas se elas insistirem e comparecerem nos estabelecimentos de forma clandestina. Elas têm livre arbítrio e muitas vezes procuram as ruas'', considerou.
Os principais pontos de prostituição em Curitiba já foram mapeados. São costumeiras as presenças de prostitutas nas ruas Getúlio Vargas, Iguaçu (Rebouças), Saldanha Marinho, Rodoviária, Praça Generoso Marques, Praça Tiradentes, Praça 19 de Dezembro, Praça Rui Barbosa, Praça Carlos Gomes, Riachuelo, Passeio Público (Centro), Wenceslau Brás (Hauer), Marechal Floriano (Boqueirão), BR-116 (Pinheirinho) e no Trevo do Atuba.
Um dos grandes problemas enfrentados pelo Grupo Liberdade é o uso de drogas lícitas e ilícitas. ''Elas sempre usam drogas, sem exceção. Ou lícitas como cigarro e bebidas ou ilícitas como o crack'', destacou ela. O trabalho do grupo já conseguiu resultados significativos. ''Temos casos de mulheres que usavam cinco pedras de crack por dia e agora usam apenas duas pedras. Outras pararam completamente com o uso do crack.''


