O aumento da comercialização de veículos no mês passado indica que a crise econômica internacional ainda não surtiu qualquer efeito sobre os consumidores. Ainda que a indústria automobilística tenha reduzido a produção, a demanda por carros continua aquecida. Levantamento da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) indica que houve um aumento de 10% na quantidade de unidades comercializadas em janeiro, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Foram vendidas cerca de 22,6 mil unidades a mais. Ao todo foi registrado recorde de negociação de 252,7 mil carros em todo o País.
O comércio de veículos está diretamente ligado à melhoria de vida da população, fator extremamente positivo. Além disso, como o cenário externo é de crise, as indústrias poderão manter suas produções porque há sustentação no mercado doméstico. Os dados são consistentes e mostram uma reação do consumo em janeiro, mês tradicionalmente mais fraco para o varejo em geral. Por isso, esse desempenho registrado logo no início do ano já levanta as projeções das expectativas de vendas para o ano todo. É uma boa notícia porque pode significar geração de empregos no setor e maior arrecadação.
Além disso, o segmento também movimenta uma cadeia própria, como postos de combustível, oficinas mecânicas e varejo de acessórios. Ainda que o aumento de veículos nas ruas afete o tráfego urbano e o nível de poluição, ter um automóvel é sinômino de status e conforto. Uma das saídas para resolver parte do problema seria o investimento em combustíveis menos poluentes, como o caso do etanol com relação à gasolina e o do diesel S-50, com menor teor de enxofre. Outro ponto que pesa favoravalmente aos veículos - embora não seja o ideal - é que o serviço de transporte coletivo deixa muito a desejar na maioria das cidades. Investimentos neste tipo de transporte e campanhas de conscientização da sociedade ajudariam a reduzir os problemas do trânsito urbano.
O comércio de veículos já se mostrou um importante fator para ajudar o Brasil a minimizar os efeitos da crise econômica, como ocorreu em 2008. É de se esperar que a fórmula faça o mesmo efeito agora.

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