O Natal traz bons ventos para Londrina este ano. Abertura de emprego temporário nas lojas e perspectiva de aumento nas vendas animam lojistas e lideranças no comércio. ''Estamos em processo de recrutamento e seleção'', afirma o gerente das Lojas Pernambucanas (Centro), Aparecido Moreira, que pretende contratar 40 atendentes. Ele não é o único do setor. No total, segundo o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Londrina (Sincoval), Uzier de Carvalho, o comércio na cidade deverá promover a contratação de trabalhadores temporários em torno de 20% a 30% a mais do que o ano passado.
Os principais fatores deste otimismo estão fundamentados na estabilidade da economia e na injeção de dinheiro que deverá ocorrer com o pagamento do 13º salário. Ao contrário do ano passado, o pagamento em dia do 13º e a estabilidade na economia local deverão estimular as vendas em dezembro. ''O salário-base na cidade teve um crescimento de 9,55% em relação ao ano passado'', destaca o presidente do Sincoval.
Além disto, os lojistas também se sentem encorajados pelas estimativas apontadas pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) no Estado, que calcula um acréscimo de dinheiro na ordem de R$ 2,1 bilhões no mercado com o pagamento do 13º salário a 4 milhões de trabalhadores no Paraná. Esse volume representa um percentual de 5% a mais do que o registrado no ano passado.
A expectativa, segundo Carvalho, é de que haja um aumento nas vendas em torno de 15% a 20%, em relação ao mesmo período do ano passado. ''O povo está com a auto-estima em alta'', afirmou o presidente do Sincoval. A opinião é compartilhada pelo presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), David Dequech, que também considera os indicadores positivos. Segundo ele, houve um reaquecimento industrial, a produção agrícola incrementou a economia, e a tensão pré e pós-eleitorais acabaram. ''As pessoas voltam a consumir agora'', argumentou. A entidade inicia a Campanha Londrinatal na próxima sexta-feira com uma adesão recorde de lojistas, incluindo os shoppings Catuaí e Royal Plaza. ''Estamos muito otimistas'', garantiu.
As estimativas só não são melhores devido ao restrito horário especial de Natal, segundo os lojistas. ''Em termos de operações e lucratividade, só perdemos para Ribeirão Preto e Campinas que vão trabalhar todos os domingos de dezembro'', comenta o gerente das Lojas Pernambucanas. ''Londrina ainda mantém-se em um processo retrógrado'', observa. Em 2001, a unidade na cidade trabalhou aos domingos com mandado de segurança na Justiça.
De acordo com Moreira, o atual Código de Postura do município é ultrapassado. Para Dequech, ''o horário especial de Natal tem que ser tratado com menos política e menos caráter eleitoreiro''. Conforme o presidente da Acil, esta questão deveria ser tratada exclusivamente entre comerciantes e comerciários. ''O Poder Público deveria participar apenas como regulador e normatizador desta situação'', critica. Este ano, o comércio abrirá somente no dia 22 de dezembro, três dias antes do Natal.
A alta do dólar nem sempre é um fator negativo para o mercado. Aqueles que mantinham estoque de artigos importados desde o ano passado se deram bem. É o caso da loja S.H. Marabá. Todas as seis árvores de Natal, de 1,70 metro, foram vendidas. A gerente de vendas, Naira Pissinati, disse que ''após uma pesquisa, os consumidores constataram o preço baixo da decoração natalina em nossa loja''. Entretanto, hoje, a pouco mais de um mês para o Natal, o otimismo ainda não transformou-se em negócios para a maioria. Exaustivamente, a vendedora ambulante Rita de Cássia Diniz, 24 anos, tentava convencer as pessoas a comprarem cartões de Natal, ao preço de R$ 1, na manhã de sábado, no Calçadão. Desanimada, ela acha que ''o povo está com medo de comprar''. Dos 100 cartões que adquiriu por R$ 55, ela espera ganhar R$ 0,45 em cada um. Por enquanto, só vendeu quatro em três dias. Rita tem esperança que esta semana seja melhor.

mockup