COMÉRCIO - Atenção e malícia podem evitar golpes
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de julho de 2010
Érika Gonçalves<BR>Reportagem Local 
Os comerciantes são alvo todos os dias de tentativas de fraudes e maus pagadores. No final do mês o prejuízo pode ser enorme. Muitos golpes, no entanto, podem ser evitados se as pessoas estiverem mais atentas e devidamente instruídas.
A opinião é do especialista em fraudes Arnaldo Ferreira dos Santos, membro do Instituto Brasileiro de Criminalística. Ele esteve recentemente em Toledo (Oeste), a convite da Associação Comercial e Empresarial (Acit) para o seminário ''como prevenir fraudes''. Em entrevista à FOLHA ele dá dicas para que os comerciantes não transformem-se em vítimas e arquem com o prejuízo.
Quais são os golpes mais comuns?
A fraude principal decorre muito mais da ingenuidade do comércio. Por exemplo, a fraude tradicional é o ''janelamento'' na carteira de identidade. O que é isso? Uma identidade roubada com a foto substituída, do titular pela do falsário. O comércio, via de regra, não tem a cultura de pedir documento de identificação do suposto cliente. E quando pede, nem sempre olha da forma adequada, ou seja, olha e não vê. Às vezes até se satisfaz com o pedido do número do documento.
Alguns pensam que quando pedem documento criam constrangimento, podem perder a venda, ser inconvenientes. Tanto que o comércio tem hoje um prejuízo considerável na venda com cartão de crédito, não que não seja um bom produto ou uma boa opção de venda, muito mais porque vende sem identificar o titular do cartão.
Na área de cheque, a clonagem é uma praga nacional, a tecnologia que nos facilita também facilita para o falsário. Tudo isso possibilita falsificação com extrema qualidade, não só do cheque, mas também do nosso padrão monetário. Hoje, por exemplo, a incidência de cédula falsa no comércio e a qualidade da falsificação têm melhorado significativamente.
Ao que os comerciantes devem ficar atentos?
No primeiro momento, na correta identificação do seu suposto cliente. Pedir a identidade, checar a identidade, fazer perguntas que desestabilizem o susposto cliente. Por exemplo, com o documento em mãos, perguntar o nome da mãe. O falsário hoje usa um nome, amanhã outro, ontem foi outro. Quando alguém faz alguma pergunta de surpresa, ele ''tem tantos pais e tantas mães'' que acaba se confundindo.
E há casos grosseiros de falsificação de RG quando se substitui a foto do titular e tem uma discrepância entre a data de nascimento e a data de emissão. Uma pessoa cuja aparência da foto deveria sinalizar 30 anos, tem 18. O inverso também é verdadeiro. E, às vezes, só de tocar o documento encontra-se indício de rasura, enxerto, adulteração, lavagem química, tudo isso é perceptível na medida em que você tem o documento em mãos.
Poderíamos dizer então que é fácil escapar dos golpes, basta estar atento?
Sim, e considerar essas variáveis que já falamos e a sensibilidade da pessoa que atende. Ainda usam uma desculpa que eu particularmente não aceito, que é dizer que o comércio está competitivo, que o cliente vai se sentir chateado com as verificações. Se você souber atender com sutileza, com habilidade, o cliente vai entender que esses questionamentos são para sua própria segurança. Eu não posso é vender e não receber.
Sempre nos espantamos quando alguém cai em um velho golpe. Por que isso ainda acontece?
Convivemos com um cenário de extrema ingenuidade, boa-fé, julgamento pela aparência e ganância, que faz com que o falsário se dê bem nos seus mais diversos golpes e estratégias. Por exemplo, golpe do bilhete premiado, do cheque clonado, do falso site e tantos outros que são aplicados no comércio.
Há alguma época ou data em que os golpistas agem mais?
Final de ano é o momento mais adequado porque o comércio tem muita gente atendendo em função da demanda, os chamados temporários. Essas pessoas não têm a sensibilidade de um funcionário mais antigo, treinado. Às vezes é até um parente do lojista que está atendendo no caixa, quebrando um galho. Dia das Mães, dos Namorados, Natal, seriam os períodos de ''alta temporada'' dos estelionatários.
Pelo que o senhor já falou, as nossas cédulas e documentos não são muito seguros. Quais outros cuidados devemos tomar?
Essa questão de abordagem no telefone, na rua, no carro, essa história do sequestro. As pessoas recebem ligação a cobrar e acreditam que possam estar recebendo um prêmio. Não existe esse tipo de promoção e se você de fato fosse ganhador jamais estariam fazendo ligação a cobrar. Nunca informe seu número de cartão nem senhas por telefone. Também não deixe seu telefone desligado a pedido da ''operadora''.
Para o comerciante, é importante pedir sempre a identidade do titular do cartão, mesmo nos cartões com chip e senha. Quando for fazer uma compra com cartão e pedirem para digitar a senha na maquininha, olhe sempre se aparece o valor no visor, caso contrário, quando você digita sua senha aparece para a pessoa do caixa, que eventualmente pode estar agindo de má-fé.


