Quando Carlos Massa, o Ratinho, começou a ser apresentador de televisão, no início da década de 1990, poucas pessoas imaginavam que aquele sujeito de palavreado chulo, que xingava seus câmeras e utilizava um cassetete para chamar a atenção do público, seria um sucesso. No SBT desde 1998, ele já viveu altos e baixos no ibope. Porém, ele soube tirar proveito dos bons momentos, quando faturou com o merchandising. Agora, Ratinho investe em comunicação, agronegócio e hotéis. Nascido no interior de São Paulo e criado em Jandaia do Sul (18 km a Oeste de Apucarana), ele se considera paranaense e mira seus investimentos no Estado. Passeando pelo Parque do Ingá, em Maringá, ele conversou com a FOLHA.

O senhor realmente está em negociações para comprar o Grupo Paulo Pimentel?
Na verdade, quem está tentando comprar o SBT do Paraná é o Grupo Silvio Santos. O que nós fizemos foi uma proposta para entrar de sócio com o Silvio aqui no Paraná. Eles estão conversando. Não sabemos se o Paulo Pimentel vai vender para o SBT. Porém, se o negócio acontecer, temos interesse em ficar com uma parte.

Na comunicação, vocês pretendem investir somente nos meios eletrônicos ou também em outros veículos?
Nós vamos fazer televisão, rádio, jornal, internet... Ou seja, tudo que for comunicação. Queremos atuar em todos os veículos. Temos a previsão de gastar R$ 100 milhões nos próximos dois anos para montar um bom sistema de comunicação, comprando parte do SBT ou montando a minha própria rede de tv.

Qual é o relacionamento empresarial do senhor com o Silvio Santos?
Não temos nenhum negócio juntos. No entanto, como houve interesse do SBT nacional em comprar o SBT do Paraná, dissemos a eles que queremos comprar uma parte, pois moramos no Paraná, meus filhos todos estão aqui e poderiam tocar o negócio. Aí eu seria sócio dele.

No início da carreira o senhor tinha um estilo mais agressivo de apresentar seus programas, hoje está mais light...
Gosto mais do jeito antigo, mas acabei sendo muito imitado. Tudo que é copiado se desgasta. Então, senti a necessidade de dar uma parada, criar um novo modelo. Prefiro a forma antiga, mas estou fazendo de tudo para fazer a coisa bem equilibrada, até para não ser criticado pela imprensa, para não exagerar.

Em relação à parceria da sua empresa, a Massa Sports, com o Londrina Esporte Clube (LEC). Por que o negócio não prosperou?
Fizemos uma parceria só para a Copa 100 Anos. Se desse certo nós continuaríamos. Como não foi isso que aconteceu, paramos. Futebol não é o nosso negócio. Então, para não diversificar muito, resolvemos parar, não só com o LEC, mas com o futebol. A Massa Sports parou, não vai continuar com as suas atividades. Nós vamos ficar só com a comunicação, agronegócio e hotelaria.

O senhor tem um filho deputado federal. Qual é a sua avaliação sobre o atual cenário político do país?
Todo esse escândalo acontece porque o sistema está apodrecendo. A nossa Constituição é parlamentarista e o regime presidencialista. Não somos nem uma coisa nem outra. Em um presidencialismo, cada estado tem que cuidar da sua vida e mandar o que interessa para o governo federal. Essa centralização do poder em Brasília não é justa. Até para resolver o problema da merenda escolar um prefeito depende de Brasília. Tudo que passa pelo terceiro escalão de Brasília resulta em corrupção.

O senhor continua defendendo a pena de morte para políticos corruptos?
Já defendi, mas hoje prefiro que seja aplicada a prisão perpétua, pois o nosso sistema judiciário tem falhas e pode permitir uma injustiça.

Existe alguma intenção de voltar para a política?
Nenhuma. E vou até avisar, se eu voltar para a política, não vote em mim.

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