Comemorando suspensão do embargo da carne
Depois da turbulência de dois anos atrás, quando o Paraná foi assolado por uma febre aftosa inexistente no gado, os produtores paranaenses de carne suína e bovina comemoram o fim do embargo russo à importação desses produtos brasileiros. O secretário de Agricultura e Abastecimento do Paraná, Valter Bianchini, espera o ingresso de US$ 200 milhões anuais no Estado com o retorno das vendas para a Rússia, estimadas em 75 mil toneladas de carne suína e 25 mil toneladas de bovina, o mesmo volume de 2005. Bianchini estima que, como o mercado russo é o mais importante para o Paraná, toda a cadeia produtora de carne será beneficiada.
Só o setor dos suínos responde por 340 mil toneladas anuais, e com o retorno da exportação essa atividade ganhará substancial incremento. Porque o negócio enfrentava um certo desânimo, a partir do momento em que o alarma da febre bovina se alastrou, atingindo também a suinocultura na visão distante dos importadores. A reabertura dos negócios com os russos anima também os frigoríficos (de suínos e bovinos) porque alguns estavam com plantas desativadas.
O presidente da Sociedade Rural do Paraná, Alexandre Kireeff, também comemora o fato e diz que a decisão russa confirma a qualidade da carne suína do Paraná, que ''mantém uma cadeia produtiva adequada, desde a alimentação saudável até o manejo dos animais''. Declara ainda que o Paraná cumpriu um protocolo rigoroso na produção das carnes. Agora a busca é por uma recomposição de preços, anuncia ele.
É evidente que a reconquista dessa substancial fatia do mercado comprador não pode acomodar os produtores, porque manter fregueses exigentes como os estrangeiros não é fácil. Com o embargo, a carne suína brasileira foi substituída pela dos concorrentes e existem contratos longos com eles. Kireeff declara que ''o embargo envergonhou o setor sanitário do Brasil''. O Paraná deixou de exportar US$ 700 milhões no período perdido, incluindo as carnes de porco, de gado e de aves. Agora espera-se que também a União Européia suspenda suas restrições.
Será preciso paralelamente voltar-se para o mercado interno, não apenas para compensar as perdas ocorridas nas exportações (por embargos e pela queda do dólar), mas como objetivo permanente. A demanda doméstica está aquecida em muitos setores e não pode ser desprezada. No que respeita ao câmbio, não há, para os exportadores, perspectiva favorável de mudança. Essa realidade vai redirecionando a posição de exportadores de produtos diversos, também porque podem utilizar os créditos do ICMS para exportação no que venderem para o mercado interno.





