À medida que as datas avançam e os prazos determinados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) vão terminando, como o que prevê o dia 2 de abril para o fim da janela partidária - quando os candidatos à reeleição devem confirmar mudança de sigla - o tabuleiro político vai ficando mais movimentado.

Palácio Iguaçu com as cores da Ucrânia - Curitiba, 03/02/2022
Palácio Iguaçu com as cores da Ucrânia - Curitiba, 03/02/2022 | Foto: José Fernando Ogura - AEN

No Paraná, a promessa de uma disputa morna pelo Palácio Iguaçu por conta dos óbvios nomes de Ratinho Junior (PSD) como candidato à reeleição e a do ex-governador Roberto Requião (PT) como seu único contraponto já não deve se concretizar.

Por enquanto, além dos dois, outros atores já se lançaram como pré-candidatos, casos do ex-deputado Cesar Silvestre, que trocou o Podemos pelo PSDB justamente para concorrer, e o do deputado federal Filipe Barros (União Brasil), liderança bolsonarista em Londrina. Analistas políticos apostam que Barros, por sinal, lançou seu nome apenas como forma de pressionar Ratinho Jr. a definir apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL), que busca sua recondução ao Palácio do Planalto. O governador é um dos mais alinhados com Bolsonaro, mas evita indicar de que lado está até que seu partido, o PSD, bata o martelo sobre em qual palanque subirá na campanha presidencial.

Depois da morte no ninho da candidatura do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), à Presidência, o mandatário da legenda, Gilberto Kassab, tenta emplacar um novo nome, que pode vir a ser o do governador gaúcho, Eduardo Leite, ainda no PSDB. Ao mesmo tempo, Kassab não descarta uma composição com o PT para apoiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida ao Planalto.

Voltando às articulações no Paraná, Ratinho Jr. fez movimentos importantes na última semana na sua disposição de ser reeleito ainda em primeiro turno, repetindo a vitória de 2018, com a filiação de oito deputados estaduais ao PSD. Quatro deles deixaram o PSB como forma de fugir da provável aliança do partido com o PT, de Requião. Com as migrações, o PSD passa a formar a maior bancada da Assembleia Legislativa, com 12 deputados. Para quem já dispõe de uma ampla maioria na Casa, um reforço considerável.

O PT, por sua vez, confia numa virada de Lula no Estado para emplacar Requião no segundo turno. A lógica é que o eleitor do ex-presidente opte pelo candidato do partido também no âmbito estadual. É uma estratégia que obriga o PT a trabalhar para tentar reverter o histórico recente de derrotas nas eleições ao governo do Paraná - desde 2002, o partido sequer chegou ao segundo turno quando lançou candidatos próprios ao Palácio Iguaçu.

No caso do PSDB, de Cesar Silvestre, o desafio maior é evitar o encolhimento que o partido sofreu nos últimos anos, acompanhando o movimento no campo nacional. O ex-governador Beto Richa ainda se põe como uma liderança do partido no Estado, a despeito do desgaste sofrido pelas denúncias em que se meteu em operações conduzidas pela Lava Jato e o Ministério Público Estadual – quando chegou a ser preso, o que determinou sua fracassada campanha ao Senado em 2018.

O jogo de xadrez que caracteriza as campanhas eleitorais está apenas no começo. O eleitor deve ficar bastante atento para compreender de que forma pode mexer as peças sem que leve um xeque-mate indesejado em outubro.

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