Lançado há quase 37 anos, o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) foi apresentado pelo governo federal como uma alternativa aos combustíveis derivados de petróleo. E, de fato, o programa cresceu e foi consolidado mundialmente como uma fonte de energia limpa e renovável. No entanto, nos últimos anos o que foi apresentado como uma alternativa não tem se mostrado tão vantajoso aos consumidores. Como todo tipo de produto, o etanol - combustível extraído da cana-de-açúcar - também está sujeito às variações de mercado e, em muitos Estados, perdeu a competitividade frente à gasolina.
O Brasil é um dos países que mais têm veículos flex (que podem rodar com dois combustíveis) em sua frota. Somente em janeiro foram emplacadas mais de 211 mil unidades, um aumento de mais de 9% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Os dados da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores comprovam que os consumidores aderiram à tecnologia flex, fator que talvez tenha favorecido uma maior variação dos preços do combustível, mesmo em período de safra da cana, porque há o aumento da demanda.
Ontem, matéria abordada pela FOLHA apontou para um recuo no preço do litro do etanol. O combustível que chegou a ser comercializado por mais de R$ 2/litro em Londrina, já pode ser encontrado por até R$ 1,75. Mesmo em período de entressafra, há justificativas para a queda de preços inesperada: alto estoque mantido por algumas usinas e ''guerra de mercado'' provocada pelas distribuidoras. No entanto, representantes dos proprietários de postos se apressaram em informar que o ''preço baixo'' não deve durar muito tempo, talvez seja um aviso aos consumidores. O segmento de combustível sempre foi problemático no Paraná. Operações contra fraudes nas bombas, combustíveis de qualidade e procedência duvidosa e cartel de preços são alguns dos itens periodicamente investigados pelos órgãos de defesa do consumidor.
No entanto, o setor é estratégico e de fundamental importância na vida de todos os cidadãos. No caso específico do etanol, os números comprovam que os brasileiros aderiram ao combustível, mas é preciso que haja uma certa manutenção e até ''coerência'' nos preços. Não pode ser possível que um combustível extraído da cana-de-açúcar e que é plantado periodicamente tenha custo mais alto do que um derivado de petróleo que, além de ser finito, tem que ser extraído do solo. Se a utilização do etanol é uma questão de estratégia brasileira, é de se esperar que os consumidores tenham uma maior segurança e garantia para a sua utilização.

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