Combustíveis, preços e adulterações
O empresário londrinense Nivaldo Pigatto, que tem experiência em comércio de combustíveis, propõe em carta publicada ontem nesta página que o Ministério Público investigue a questão dos preços, nos diferentes postos. Ele demonstra que a margem de lucro é pequena para o vendedor, pela comparação entre custo e venda, ou seja: gasolina adquirida a R$ 2,16 e comercializada a R$ 2,25; álcool comprado a R$ 1,59 e vendido a R$ 1,60; e diesel tendo o custo de R$ 1,68 e vendido a R$ 1,73. Ele afirma que o Ministério Público sempre investiga os postos para detectar eventual formação de cartéis, mas não se atém à questão da baixa margem de ganho para o dono do negócio. Sua recomendação, em princípio pertinente, é que o MP reúna os operadores de postos e estabeleça um porcentual de lucro uniforme sobre o custo dos produtos, para evitar inclusive a adulteração de combustíveis. Diz que, segundo análises, um produto precisa ter a margem bruta de 15% sobre o preço de custo, porque segundo afirma de 10% a 12% são absorvidos pelos custos fixos e a manutenção. Na opinião dele, essa prática traria tranqüilidade para o operador e daria ao consumidor a certeza de ter no tanque um produto dentro das conformidades. Na mesma seção de cartas, ontem, uma senhora reclama que foi agredida violentamente por rapazes que bebiam num posto de combustíveis, em Londrina, porque quando chegou para uma compra na respectiva loja de conveniência, eles passaram a dirigir gracejos indecorosos para ela e a filha. Como ela foi tirar satisfações, como diz, foi espancada com socos e garrafadas e teve seis dentes quebrados o que poderia ter acontecido em qualquer outro lugar, mas o acontecimento serve para as autoridades discutirem a permissão para postos de combustíveis venderem bebida alcoólica e para a aglomeração de pessoas nesses lugares. Ademais, muitos fumam próximo às mangueiras, oferecendo sério risco de incêndio. Quanto ao caso específico dos combustíveis, essa disparidade de preços e de formação de cartéis remete para o mais grave dos delitos contra a economia popular, que é a adulteração de combustíveis com o adicionamento de água, o que danifica seriamente o motor do veículo, um bem caríssimo e adquirido com sacrifício pela maioria das pessoas. Há tanto tempo isto acontece e é denunciado, mas parece um problema de difícil solução. O Ministério Público e o Procon figuram entre as poucas portas às quais o cidadão pode bater, em defesa das garantias individuais e para proteção dos seus bens como o veículo automotor e precisam investir pesadamente contra esses criminosos. E quanto à sugestão do empresário citado, considerando que se trata de um comerciante da área e portanto com experiência, é medida que deve ser avaliada pelas autoridades, e posta em prática se for viável.





