Combustíveis, indicadores e transparência
Passados pouco mais de dez dias das eleições que confirmaram a permanência da presidente Dilma Rousseff (PT) na Presidência da República, os números começam a aparecer. O mais recente divulgado esta semana é a confirmação do aumento dos preços dos combustíveis. Ainda sem o índice de reajuste ou mesmo a data em que começará a ser praticado, é certo que gasolina e óleo diesel ficarão mais caros até o final do ano.
O preço dos combustíveis impacta diretamente na inflação e poderia ter um peso importante durante o período eleitoral. Em um cenário de baixo crescimento econômico, mas com inflação frequentemente estourando o teto da meta estipulado pelo Banco Central (que é de 6,5%) os combustíveis têm uma participação importante na formação do índice até mesmo porque esse reajuste provoca um "efeito cascata" nos preços de outros produtos e serviços.
Sabe-se que nos últimos anos a Petrobras tem acumulado prejuízo por conta da defasagem dos preços praticados nos mercados externo e interno. Cálculos do mercado financeiro apontam que nos últimos quatro anos a estatal registra prejuízo de cerca de R$ 60 bilhões com a política de não reajuste imediato conforme as oscilações do mercado. No entanto, esse aumento vem em meio ao enorme escândalo de corrupção, que aponta para obras superfaturadas e desvio de recursos, e justamente quando o preço do petróleo está em queda no mercado externo, o que reduz o deficit diário da companhia. Seria o momento ideal?
Além disso, outros fatores negativos podem ser citados: possibilidade de racionamento de energia se não chover, queda da arrecadação federal de impostos e contribuições e aumento dos miseráveis no País em 2013, pela primeira vez em dez anos. São todos dados estatísticos que já se tinham conhecimento, mas que tiveram a divulgação postergada. É importante que a sociedade reflita e passe a cobrar mais transparência da administração pública.





