A qualidade dos combustíveis é sempre tema de discussão entre o setor público e empresarial. O objetivo é comum: combater a ilegalidade e inibir a ação de fraudadores. Para o presidente do Sindicato das Distribuidoras Regionais Brasileiras de Combustíveis (Brasilcom), Maurício Rejaile, a incansável batalha contra a fraude e a sonegação é uma luta recompensada. Em entrevista à FOLHA, ele apresenta dados e alerta: ''preço baixo não significa combustível adulterado, porém indica problema na empresa ou no mercado''.

Como está a qualidade dos combustíveis no Brasil?
O mercado passou por um período de severa transformação. Em 1993 houve a entrada de aproximadamente 400 novas distribuidoras, sendo muitas pautadas na fraude fiscal e na adulteração de combustíveis. Por outro lado, surgiu distribuidoras regionais sérias. Atualmente, operam no mercado de distribuição de combustíveis aproximadamente 120 empresas. O Brasilcom idealizou e participou da fundação do Comitê Sulbrasileiro de Qualidade dos Combustíveis (CSQC), o que garante, pelo menos no sul do país, um menor índice de adulteração e sonegação.

Como está a questão das fraudes?
A fraude ainda ronda os postos de combustíveis, mas podemos considerar nossa luta recompensada. Em março de 2003, a ANP registrou 22% de gasolina não-conforme no Paraná. Na última amostragem, dos meses de setembro, outubro e novembro de 2008, o índice é de 2,1% de gasolina não-conforme, o que representa aproximadamente 2,9 milhões de litros mensais. Verifica-se uma queda impressionante em 5 anos. O combustível adulterado teve uma drástica redução no mercado, fruto da sociedade, que apoia todos que fazem o controle deste mercado. Devemos apoiar a criação de leis mais rígidas, como a inutilização do produto adulterado, o cancelamento da inscrição estadual do posto com combustível adulterado, e até mesmo a cassação da indicação fiscal do imóvel. Só o endurecimento da lei e da fiscalização, com o apoio da sociedade, pode reduzir a adulteração.

Preço baixo sempre significa combustível adulterado?
Nem sempre. Quando um revendedor tem um preço muito abaixo da concorrência, naturalmente o mercado se desloca para baixo e todos ficam com preços muito próximos. É comum que o revendedor que inicia a batalha esteja contemplado por uma vantagem ilegal, imoral ou ambas.

Então, na sua opinião, é impossível aliar preço baixo e qualidade?
É preciso saber determinar o limite de preço baixo. Incluindo despesas e margem de revenda, é possível aliar preço baixo e qualidade.

O preço do combustível vai cair ou não?
Acredito que neste momento de instabilidade econômica, nem o Governo Federal nem a Petrobras pensam em alteração de preços.

Um fato que instiga a população é o preço dos combustíveis não cair mesmo diante da grande oscilação dos barris de petróleo...
Essa é uma questão de política de preços do governo. No entanto, acredito que o governo aguarda o desenrolar da crise, que está provocando uma oscilação muito grande no preço das commodites, para tomar uma posição a respeito. Principalmente nesse momento em que a Opep tomou a decisão de reduzir a produção e consequentemente a oferta de petróleo.

O consumidor deve abastecer sempre no mesmo lugar?
O consumidor deve abastecer no posto que oferece garantia total de produtos, de serviços e de atendimento. Sempre que possível no mesmo lugar.

Qual o real significado e a importância das certificações?
Sem dúvida a relação do consumidor com o revendedor é o que mais lastreia a questão da confiança. Os órgãos reguladores, a polícia e os órgãos de fiscalização são as entidades certas para avaliar e atestar a existência de fraude em uma empresa ou mercado. Se a distribuidora tem um programa de qualidade é um indício de que a ocorrência de fraude naquele lugar é menor, porém não é uma garantia.

Há muita falta de informação sobre a qualidade de combustíveis. Como reverter essa situação?
A Agência Nacional de Petróleo (ANP) disponibiliza em seu programa de monitoramento, informações sobre a qualidade. Isto quebra o preconceito incutido nas pessoas. Há um conceito equivocado e apoiado por algumas pessoas de que os postos de bandeira branca e as distribuidoras regionais brasileiras são responsáveis pela fraude, sonegação e adulteração. É uma ferramenta utilizada para confundir e trapacear, de forma criminosa, as empresas paranaenses. Buscando uma informação mais apurada pela ANP notamos que o menor número de ocorrências de não conformidade está nos postos das bandeiras regionais. As distribuidoras regionais têm um número menor de postos, acompanhando melhor seus clientes. Há ainda o Programa Nacional de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC), que mostra a fotografia do abastecimento e da qualidade dos combustíveis no país. Por meio dele podemos quebrar preconceitos e observar que o mercado não é tão ruim quanto se imagina e que o trabalho das empresas sérias gera resultado positivo.

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