COMBINAÇÃO PERIGOSA - Árvores e manutenção inadequadas representam risco de acidentes
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segunda-feira, 21 de setembro de 2009
Paula Costa Bonini<br>Reportagem Local 
Uma simples ameaça de chuva e de vento fortes é suficiente para deixar os londrinenses preocupados. O motivo? A ameaça constante de quedas de árvores. Para o pesquisador do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) Paulo Guilherme Ribeiro, a arborização urbana não é a culpada, mas vítima do poder público e da sociedade.
O plantio de espécies inadequadas e as podas equivocadas são, de acordo com o doutor em fisiologia vegetal, as principais causas dos desastres. E o número de potenciais ameaças é grande. Todos os meses a Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Sema) recebe uma média de 300 pedidos de poda. Cerca de dois terços das solicitações são atendidas. A manutenção inadequada, porém, representa maior risco de queda.
Quais as consequências da arborização inadequada?
A inadequação não permite que as árvores desempenhem a função de melhorar o clima e fornecer sombra. Além disso, elas podem ter contato com a fiação elétrica e cair sobre casas e carros.
As quedas de árvores, em especial em dias de chuva e vento fortes, são relativamente comuns. Isso siginifica necessariamente que as pessoas não têm critérios no momento do plantio?
As pessoas costumam plantar árvores das quais gostam e que nem sempre são adequadas para a arborização urbana. A prefeitura acaba plantando o que é mais comum e há várias árvores completamente inadequadas para o plantio em ruas.
Então a própria prefeitura tem falhado nesse sentido?
Sim. Somente a partir de um Plano Diretor (de Arborização) será possível estabelecer um critério para escolher adequadamente as plantas. Participamos da elaboração do Plano Diretor da cidade, que determina o plantio de árvores e da vegetação em locais públicos. Isso é muito importante. Uma das coisas que mais vemos em Londrina são árvores de 10 metros de altura estranguladas na base devido a uma calçada pequena. A árvore não tem espaço para as raízes se desenvolverem adequadamente. Além disso, não há infiltração de água, o que provoca entupimento de bueiros, transbordamento e alagamento.
Por que o Plano Municipal de Arborização ainda não ficou pronto?
Porque não dão tanta importância ao assunto. O plano só vai ser acelerado quando começar a cair mais árvores e mais pessoas acionarem a prefeitura por danos ao patrimônio. Infelizmente as coisas acontecem assim no Brasil.
Como o senhor avalia a arborização na cidade de Londrina?
Existem muitas falhas. É deprimente para nós que gostamos e sabemos da importância das árvores. Muitas vezes elas são vítimas da ignorância do setor público, que planta errado, e das pessoas que querem podar, mutilar e derrubar as árvores. Muita gente não percebe a importância que as árvores têm no cenário urbano. Londrina deveria ter mais arborização. Se for feito um bom planejamento, a qualidade de vida vai aumentar e a cidade ficará mais protegida.
E qual é a situação do Paraná?
O estado tem uma situação razoável. O problema é que a solução adotada em outros estados acaba sendo implantada aqui. Conforme a região a escolha das árvores e o modelo de plantio acabam sendo inadequados. É preciso escolher árvores que possam enfrentar os ventos fortes e as tempestades, que são cada vez mais frequentes. É preciso buscar soluções para as mudanças climáticas e agir imediatamente. As pessoas devem zelar pelas árvores e solicitar a substituição quando necessário.
Quais os problemas que a poda equivocada pode trazer?
Antigamente, a Copel mutilava as árvores. É preciso fazer uma poda adequada. Existem técnicas e ferramentas destinadas para isso. É necessário evitar que a lesão seja muito grande e o corte precisa ficar liso para o tecido regenerar rapidadamente. O ideal é não fazer poda em árvores grandes porque a lesão fica maior do que deve e as bactérias penetram e apodrecem a árvore. As podas têm que ser precoces, inteligentes, a fim de evitar grandes danos. A prefeitura deveria cuidar disso. Atualmente o serviço é terceirizado e já vi funcionários dessas empresas mutilarem as árvores. Eles não têm critérios.
Quais as implicações que a arborização inadequada e as podas sem critérios podem trazer futuramente?
As pessoas vão perder qualidade de vida. A arborização urbana adequada é um bem para a saúde humana. Um bom exemplo é os Estados Unidos, onde plantam árvores de porte intermediário nas rodovias para que absorvam o ruído, para não ser dissipado para as residências. A árvore, além de melhorar a qualidade do ar e a vida das pessoas, pode reduzir o barulho. É uma solução simples, utilizada também na Europa.


