No caso dos escândalos de corrupção na vida governamental brasileira, quando homens públicos são denunciados por receber propinas (grossas e médias) das empreiteiras em troca da concessão de benefícios nas licitações, essas empresas corruptoras acabam sempre se safando e voltam a executar obras dos governos. Se houvesse mais rigor com elas, sem dar-lhes chance de entrar em novas concorrências públicas, se estaria dando um grande passo no rumo da moralidade. Porque, se existem os que simplesmente se apropriam do dinheiro público que está ao alcance, também existem os que são corrompidos, em troca de dinheiro e outros benefícios.
Em Londrina, o comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar que acaba de assumir, Luiz Carlos Deliberador, afirma que vai combater não apenas o ladrão mas também o receptador das coisas roubadas. Porque, a não ser nos casos em que alguém em estado de miserabilidade rouba para comer ou para servir-se dos bens roubados, certamente noventa por cento dos roubos deixariam de acontecer se não houvesse o comprador lá adiante. Este é tão criminoso quanto aquele que rouba, e deve também ser buscado pela Polícia. Um ladrão preso é uma testemunha em mãos para denunciar os receptadores, e mediante alguma forma de delação premiada ele será um valioso cooperador.
O novo comandante do 5º BPM - londrinense com 30 anos de carreira - anuncia este novo rumo na repressão à criminalidade, e pode ter sucesso, porque a referência é que é um dedicado policial, cuja função agora ganha amplitude. O fato de ser da cidade abre-lhe mais possibilidades, porque, como ele próprio disse, agora será cobrado por onde andar e estará mais exposto para receber denúncias e informações. Sabe-se que os receptadores são profissionais, formando nas mesmas gangs de ladrões, mas existem também os cidadãos - destes que tanto clamam por segurança - que adquirem conscientemente mercadorias roubadas, porque a preço vantajoso.
Óbvio que quem não é do ramo comercial e oferece certas mercadorias à venda é alguém sob suspeita. Comprar produtos de roubo é fomentar o negócio dos ladrões, e quem o faz, além de cometer crime de receptação perde a moral para reclamar da roubalheira e da violência. Isto, em outra escala, corresponde aos eleitores que reelegem políticos denunciados por roubo de dinheiro público. Se a delinquência tem a ver, também, com as misérias sociais, a prisão desses marginais é necessária, para isolá-los do meio e impedir que continuem assaltando, roubando e matando, e buscar - por medidas que não são incumbência da Polícia - ressocializá-los. Segmentos da sociedade não acreditam muito nessa idéia de ressocialização, mas tal é possível. Quanto aos receptadores, se entre eles deve haver também os miseráveis, a história policial mostra que alguns são figuras de mais destaque social. A esperança é que o novo comandante militar tenha êxito em seus propósitos. A sociedade precisa cooperar nesse sentido.

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