No momento em que mais um assassinato de jovem ocorre em Londrina, desta vez próximo a um shopping de grande movimento de pessoas, o debate sobre a pouca segurança se reaquece. O advogado Alvino Aparecido Filho, presidente do Conselho Comunitário de Segurança, declara que 92% dos crimes contra a vida, em Londrina, têm vinculação com o tráfico e uso de drogas. Se este é o problema, este é o ponto a atacar. Sabe-se que os assassinatos entre jovens, que são os ''formiguinhas'' comercializadores de drogas, ocorrem por questões de acerto de contas relacionadas com o mininegócio. Mas por trás deles, invisíveis, estão os traficantes maiores, que lhes fornecem a mercadoria, e acima destes os maiores ainda. É sobre eles que a Polícia deve voltar suas atenções. De pouco adiantará deter esses jovens, até porque muitos são menores então será prender e soltar até o momento em que matam ou morrem, como acaba de acontecer. O presente caso já chega ao 82º assassinato no ano, agora não mais nas ruas da periferia pobre mas na área central e de cujo incidente resultou também uma menina ferida por uma das nove balas disparadas. A Polícia tem indicativos para chegar aos traficantes graúdos, até porque, por força da função, lida com toda a sorte de marginais e tem o mapeamento do universo do crime. Se é mais difícil apanhar os grandes, não há outro caminho senão combater o mal pela raiz e não pelos seus efeitos. Os chefões são sempre bem defendidos e figuram no topo de uma ramificação que vai destes ''formiguinhas'' até as poderosas organizações, que alastram seus tentáculos pelo mundo. Londrina, como de resto as cidades de grande porte, enfrenta hoje dois tipos de crimes graves (deixando-se de lado, por momentos, os da corrupção): um, esses assassinatos envolvendo o tráfico miúdo de drogas; outro, os atentados contra o patrimônio, que às vezes resultam, também, em mortes violentas. Os crimes de roubos e assaltos têm a ver sobretudo com o desemprego e as misérias sociais, um problema que se resolve pela mudança das políticas econômicas e da lei reguladora do trabalho, assim como pela conscientização, também, da comunidade empregadora e da sociedade. O outro centra-se na produção e no tráfico pesado das drogas, porque não são esses meninos que as produzem ou as introduzem no País através das fronteiras, nem são eles que manipulam fortunas e exércitos de pessoas na grossa comercialização. Será ingenuidade, no caso das drogas geradoras da maioria dos assassinatos em Londrina pensar que se combaterá o mal apenas por via da polícia agindo diretamente sobre esses jovens, porque a origem está mais em cima. Sem ir ao ponto central não se eliminará as consequências. O mesmo ocorre com os roubos e assaltos, cuja razão está na falta de trabalho e de ganho, embora não se descarte a presença dos criminosos profissionais. Enquanto não se resolve o problema centrando-se nas causas, a Polícia deve naturalmente agir, para que o controle não se torne insustentável, mas será necessário o enfoque paralelo para o ponto onde o mal começa. Esta é uma questão de adoção de políticas públicas e de participação também da sociedade. Não uma sociedade que se organize para pedir mais força policial mas para participar de fórmulas de solução duradoura.

mockup