Combater o círculo recessivo vicioso
A crise financeira já é refém de um círculo recessivo vicioso, gerado em seu próprio ventre. A ausência de confiança é capaz de grandes desastres no universo dos negócios, e é isto que no momento ocorre. Não houve propriamente uma causa gravíssima que fundamentasse a implosão da crise que se está vivendo, senão uma corrente nefasta que se propagou a partir da simples quebra de um banco norte-americano, favorecida por dificuldades nos negócios imobiliários que já imperavam nos Estados Unidos.
A crise de confiança começou aí e transformou-se num mastodonte, consequente da ampla difusão que foi ganhando intensidade porque gestada na grande nação e por isso espraiou-se como água montanha abaixo. Por isso deve-se ter a esperança de que é possivel reverter a situação, bastando conter essa onda alarmista a partir de uma reformulação de mentalidade e por ações práticas, sem ficar apenas nas conjeturas e lamentações.
Medidas devem ser tomadas pelo poder público, pela classe empresarial e pelos cidadãos individualmente. O apelo generalizado no momento é para o Conselho de Política Monetária baixar a taxa básica do juro, no caso do Brasil. Há quem defenda uma queda radical de 13,75% para 10%. Porque isto beneficiaria também o Governo pela queda do custo de sua dívida interna. Os empresários paranaenses pedem que o Governo implante efetivamente as obras do PAC, porque esta seria uma forma de mobilizar capital e abrir vagas de trabalho. Baixar impostos é uma prática que muitas nações estão adotando, mas no Brasil isto ocorre timidamente, sem gerar um grande impacto positivo. Apenas discurso governamental não resolve e sim ação efetiva. Uma crise se combate com providências heróicas, e uma delas é também diminuir o custo da máquina pública que é abusiva e sem controle. E as empresas têm de saber reestruturar-se e fechar gargalos por onde gastos descontrolados fluem, desfocando a idéia de que isto se fará cortando pessoal. Despedir gente tange diretamente a carne, que é a parte dolorida.
Se os cortes atingem pessoas e as colocam no pátio da amargura, de nada valerá apregoar soluções salvadoras, porque dessa maneira elas não terão nada de solução e de salvação, mas de tragédia. Enfrentar a crise não é pensar imediatamente em demitir, porque numa família sem renda o desespero se instala. O governador Roberto Requião anuncia o propósito de dar incentivo fiscal a empresas que não demitem. É uma ajuda concreta.





