Combater na origem o mal das drogas
O problema das drogas é mundial e compreende valores incalculáveis e um bem estruturado gerenciamento. Funciona por um sistema de pirâmide, em cujo topo encontra-se gente muito poderosa, e escalona-se até chegar aos distribuidores finais, que acabam também envolvidos no vício e nos assassinatos decorrentes. Para manter essa vigorosa estrutura, grupos armados se formam, como força paralela à dos organismos de repressão.
Se não é fácil combater essa organização empresarial especializada na criminalidade, a verdade é que seus comandantes são conhecidos, desde o mais elevado escalão até às extremidades desse negócio infernal. Os serviços de inteligência das polícias internacionais conhecem o funcionamento do sistema, e também nos redutos regionais as autoridades sabem onde se localizam os plantios (caso de coca e maconha), as usinas de beneficiamento e os pontos de distribuição.
A complexa questão é desestruturar essa máquina, pela envolvência de grupos poderosos e também pela conivência de segmentos dos próprios organismos de combate a esses crimes. Ontem este Jornal mostrou como o consumo do crack está crescendo no Brasil, porque antes era apenas consumido no âmbito da classe pobre, porque barato, mas agora alcança também a classe média. O crack é resíduo do refino da cocaína e altamente nocivo, pois provoca dano neurológico irreversível, podendo levar à morte. É consumido principalmente pelos jovens e pode ser definido como um suicídio lento, pela sua ação devastadora. Se as campanhas educativas são necessárias, e ajudam, é nas origens que o mal precisa ser atacado, a começar principalmente dos países cultivadores de coca. Outra frente será destruir as usinas de quimificação e seguir a trilha do tráfico, mas para isso seria necessário mover as forças armadas (exércitos e polícias) de todos os países, numa verdadeira operação de guerra.
Se não houver consumidores não haverá produção, é o que se apregoa, mas esta é uma esperança vã, da mesma forma que se não houver receptadores de coisas roubadas não haverá ladrões. Orientar a juventude para o perigo das drogas é um dos caminhos, mas só a deflagração de uma intensa campanha de destruição da infra-estrutura instalada é que eliminirá essa pestilência social. Esta terá de ser uma decisão dos governos. Se houver vontade, eles conseguirão.





